[Os postasmas] #5 – Galactica, Ambrose, Attack, Zuckerberg

Publicado 04/03/2011 por Lucas Carvalho
Categorias: Postasmas

Etiquetas: , ,

Postasma? É uma palavra tosca, eu sei, mas ela tem um significado. Entenda aqui.

.

Eu não sei o que pode desestimular uma pessoa completamente a escrever. Mas eu estou bem desestimulado.
Talvez um sentimento ainda não nominado que mistura a inércia, a procrastinação, o tédio e um sutil emburrecimento por parte deste que vos fala.
É sério, frequentemente eu sinto que estou emburrecendo. Ou me tornando uma pessoa tão crítica & auto-crítica que tudo soa muito ridículo, desinteressante e/ou patético. E isso é muito grave. E isso me lembra Claire Fisher (um quote dela diz algo parecido como tudo e todo mundo a cansar e entediar, e que ela está de saco cheio com isso, porque ser tão escroto assim é uma merda), que me lembra Lauren Ambrose.


#Lauren Ambrose Que me lembra que ela é uma atriz fantástica (que fez um dos melhores papéis de adolescente já vistos), que ela é absolutamente muito bonita, que ela é ruiva natural e que, infelizmente, ela não é uma atriz conhecida. E que, além de tudo isso, ela ainda pode cantar. E MUITO BEM.


E, por isso, eu quero dividir isso aqui com os bróder.

E isso, e isso. Ela é bonita, ela é foda, ela canta, ela canta jazz e ela faz cover do lcd soundsystem, o que significa que eu estou apaixonado por ela.
Com0 se eu não fosse apaixonado por qualquer personagem ou ator de Six Feet Under. É sério, eu já terminei de ver essa série há mais de 6 meses e é uma das coisas sobre as quais eu sempre quero ler mais, rever uma cena, falar a respeito.
É divertido como algumas coisas ficcionais podem tocar a gente de maneira quase sobrenatural.
Obvio que isso tem a ver com um elenco assombroso, o realismo absurdo e o roteiro fodido. E com todo o puxassaquismo que eu já fiz neste post.
E Six Feet Under me lembra séries, que me lembra a série que eu tô vendo agora, Battlestar Galactica.

#Battlestar Galactica Eu sou um cara muito, muito chato para séries. Porque a maioria é tosca mesmo.
Dado o meu supracitado grau de envolvimento com Six Feet Under, venho a algum tempo buscando algo que me entretesse e me fizesse pensar no mesmo nível. Não que eu seja uma dessas pessoas que acha que algo tem que fazer pensar pra valer a pena. Sou extremamente partidário do entretenimento pelo entretenimento – pode se empanturrar de BBB que eu ainda vou te achar uma pessoa bacana, ao menos que você torne isso um dos motes da sua vida e o único assunto possível no twitter por 3 meses. Afinal, eu posso passar 5 ou 6 hopras jogando pokemon, às vezes. Mas é que se eu vou ver uma série com 400 mil temporadas e 600 milhões de horas, eu prefiro escolher algo que vá um pouco além da mesma investigação criminal com final surpresa em todos os capítulos e/ou probleminhas médicos com soluções inesperadas propostas por médico-ídolo de pessoas que se acham muito sarcásticas.
Daí fui por uma opção mais segura, Battlestar Galactica, porque recebi umas 3 indicações de pessoas confiáveis. Sabe como é, existem pessoas confiáveis para indicações e existem as que não são. E daí que valeu a pena, porque a série é muito boa.
Olha, eu nunca fui fã de sci-fi, não sei porras de star wars e, enfim, eu nunca fui um nerd de carteirinha e temáticas do estereótipo nerd (tolkien, rpg, vikings, coisas medievais, espaçonaves e fantasia) nunca foram minhas preferidas. Mas explico o que é encantador em battlestar galactica: não é uma série sobre o espaço, é uma série sobre pessoas, sobre sociedade, sobre política, sobre militares e sobre relacionamentos inserida num contexto intergalático. Contexto muito bem feito, por sinal, bem fantasioso mas com um pé no plausível. Além disso, a série constrói vagarosamente (VAGAROSAMENTE, VIU, LOST) uma série de bons mistérios e uma mitologia própria. Ou seja, eu tenho a impressão de que eu estou vendo uma narrativa de mistérios decente, que é o que lost deveria ter sido se não tivesse se afogado em tanta enrolação depois de um certo tempo.
Ainda não me envolveu como Six Feet Under. Nem acho que vá envolver. Mas tá funcionando como um ótimo entretenimento, com boas reflexões, bons momentos de drama e humor (sério, aquele babaca do Baltar alucinando na frente de geral é muito bom) e bons personagens. E eu me emociono com os momentos em que o velho adama (o chefão da nave) demonstra sentimentos. É. Só Deus pode me julgar por isso.

E, além de tudo, temos CYLON WATTS (L) como uma alucinação/fantasma/robô/cover da naomi watts/cover da milla jovovich sendo a personagem mais safada da história das 12 colônias

Embora o final não seja exatamente o que eu esperava por dar uma de Lost e justificar tudo com base no místico, o balanço final da série ainda ficou muito positivo pra mim.

..

E daí que tudo que está escrito acima (menos a parte do final da série) foi escrito há dois meses atrás e eu não lembro mais o que eu queria falar sobre Massive Attack (considerando que eu sou paga-pau da banda, provavelmente eu ia ficar aqui pagando pau mesmo) e sobre o filme do Mark Zuckerberg. Era algo sobre ser uma pessoa com capacidade de realização, mas eu ando me achando o cara com a menor capacidade de realização de todo o planeta, então não vamos tocar nesse assunto delicado.

Talvez eu fosse falar algo sobre não conseguir mais escrever nada, mas isso não tem só a ver com eu estar menos fértil do que solo no deserto, tem a ver também com a supracitada incapacidade de realização, procrastinação patológica e vagabundagem nata, além de péssima auto-estima criativa/intelectual, o que no final das contas parece bem engraçado, mas é bem, bem triste.
Também me lembro de querer fazer um post sobre a minha viagem de férias em algum momento da minha vida, sobre o quão divertido pode ser conhecer coisas novas e sair um pouco da zona de conforto, mas as férias já acabaram e por ALGUM MOTIVO MISTERIOSO o mundo não me parece mais tão bonito após o fim delas.

Fiquem aí com a Anneke porque nunca é demais espalhar vídeos de uma cantora que se emociona enquanto canta. Indiquem este vídeo para qualquer pessoa que tenha um coração dentro da caixa torácica AND SPREAD THE LOVE THROUGH THE WORLD, bróders.

whatever happened

Publicado 08/11/2010 por Lucas Carvalho
Categorias: Contos

Etiquetas: ,

Eu nunca pude entender, mas um olhar rápido e de canto de olho poderia sublimar qualquer resquício de dureza que pudesse haver no mundo. Sob meus passos cambaleantes, comprovadamente ébrios, eu estava completamente são da situação: Avenida Paulista, 3 da manhã e eu estava sozinho como se estivesse numa cidade pequena, tão sozinho quando nunca estive, exceto por única garota, tão sozinha quanto eu. Ela estava andando há 5 ou 6 metros atras de mim com passos bem mais firmes que, entretanto, soavam medrosos e apreensivos a cada batida seca do salto baixo na calçada. Ela estava assustada.

Diminuí o ritmo dos meus passos para que eu pudesse estar mais proximo, e eu também não entendo porque fiz isso. Logo estávamos no mesmo meridiano. Eu acho que estava com tanto medo quanto ela. Então ela olhou.
E então meu ombro foi puxado por algo que eu não sei o que é, é sério, ele era realmente puxado. Magnetizado. Eu estava mais proximo dela agora e ela, ao contrário do que seria óbvio presumir, não se afastou. Tampouco pareceu dar atenção. E então aproximamos os ombros, os braços e demos as mãos.

Caminhamos lentamente por mais de um quilômetro, o metrô estava fechado, bem como os meus sentidos. Não sei a respeito dos dela: não trocamos uma só palavra, um só sorriso. Nos comunicamos atraves de um olhar inicial e pelo calor das mãos, e mais nada. E então ela me soltou, virou na Brigadeiro Luís Antônio.
O que ela pensou, o que ela sentiu e o que nos motivou são dúvidas que permaneceram em mim por muito tempo. O brilho dela era como o do vidro, angular e subjetivo – quanto mais eu procurava algo, mais eu via o outro lado. Mais eu via mais. Do mesmo que eu viria sem ela.

eu sei que eu não sou genial, relaxa.

Post da Depressão

Publicado 04/11/2010 por Lucas Carvalho
Categorias: Crônicas (ou texto sobre qualquer viajada não-narcótica)

Etiquetas: ,

   

Isso não tem graça. Eu não costumo postar nada relativo a assuntos muito comentados e, como as figuras acima estão diretamente relacionadas as escrotas e recém realizadas eleições, eu não deveria estar falando disto. Mas isso é tão triste, revoltante, indignante, indecente e eu não sei mais o quê, que é impossível eu não partilhar com quem quer que leia isso aqui uma pergunta que sempre me vem a cabeça – não só por isso que tá aí em cima, também por qualquer coisa parecida. Mas confesso que isso aí foi uma das coisas que mais me fez sentir isso.

O que você faz quando algo te revolta muito?Eu não estou falando sobre revoltas relacionadas a assuntos pessoais, um chifre da namorada, uma briga com os pais. Eu estou falando daquela revolta que já nasceu para te dizer e te alertar do quão você é impotente. Impotente diante de uma montanha de ignorância que você vê, mas não pode fazer nada. Se essas coisas postadas acima não são uma montanha de ignorância, eu não sei mais o que é. E o pior é que são opiniões. Pessoais. E, sabe como é, dizem por aí que a gente tem que respeitar as opiniões alheias. Mas porra, diante deste tipo de coisa eu digo de boca cheia que eu não respeito qualquer opinião alheia. Eu nem discutiria com um babaca que postasse qualquer coisa parecida com isso. Não há argumentação. Isso é pura paixão. Sim, paixão, essa palavra bonita e frequentemente associada a coisas boas foi o motor dessas eleições, um motor para a maioria das coisas ruins que fomos obrigados a aguentar: polarizações desnecessárias, generalizações, ofensas sem fundamento, falta de respeito, falta de sensatez e tem gente que na “discussão política” (de política não tem uma pica, é só o velho corinthians x são paulo travestido) chegou a faltar com o caráter, como os digníssimos representantes ilustrados acima que, além de indevidamente “culparem” uma região por um resultado que eles não esperavam, ainda partiram para ofensas gravíssimas – gravíssimas não porque são ofensas, um “vai tomar no seu cu, seu filho de uma puta” é tranquilo, mas porque serviram de desculpa para aflorar um preconceito sujo, nojento, alarmante. E, neste caso, eu não condeno mais os paulistas, os sulistas ou os nordestinos. Embora alguns tenham sido espontaneamente babacas enquanto outros foram babacas após provocados, nada justifica você sugerir a morte de um compatriota simplesmente porque ele vive numa região diferente da sua. Nem tão diferentes assim.
Esse pós-eleição foi só o clímax de uma discussão “política” contaminada pelo ódio, pelo bairrismo e pela paixão cega desde o começo – até mesmo quando não havia uma dicotomia. E eu realmente não culpo os candidatos, os partidos, eu culpo as pessoas. Eu nunca tive tão pouca esperança no universo quanto tive nessa época. Eu nunca me senti tão impotente, fraco e perdido no mundo. A cada tweet extremista que eu lia, a cada meia dúzia de comentários que eu via quando ia olhar uma notícia da folha (fica até a dica, leia comentários de notícias da folha quando estiver entediado. É pra rir e pra chorar), a cada insensatez que eu era obrigado a ouvir no trabalho, eu me sentia morrendo um pouco. Isso soa dramático, exagerado, mas pode ter certeza que depois de passar pelo trauma de observar bem a minha primeira eleição após a infância/adolescência/faseondeeunãoentendiaporranenhuma, eu me sinto bem mais compelido a adotar a política do foda-se pra qualquer coisa. E a não acreditar nas pessoas, até aquelas que eu julgva sensatas.
Porque eu não sou obrigado a ler de pessoas que eu considerava inteligentes que a vitória da dilma nos livrou do fascismo – também não sou obrigado a ler da simpática menina que trabalha comigo que ela concorda com as ofensas aos nordestinos que eu mostrei a ela. Aliás, clique aqui para ver algumas. Recomendo aperitivos antidepressivos pra acompanhar.

No mais, se você é meu amigo, conhecido, parente, relacionado, follower ou o caralho que o parta e um dia chegou a pensar na hipótese de talvez considerar a idéia de concordar com qualquer tipo de coisa distantemente parecida com o que um dos caboclos acima disseram, me exclua da rede social que seja, suma da minha frente, me mande tomar no cu e esqueça que eu existo :)

E então, me ajude: o que você faz quando algo te incomoda e te revolta em alto grau?


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.