Post da Depressão
Isso não tem graça. Eu não costumo postar nada relativo a assuntos muito comentados e, como as figuras acima estão diretamente relacionadas as escrotas e recém realizadas eleições, eu não deveria estar falando disto. Mas isso é tão triste, revoltante, indignante, indecente e eu não sei mais o quê, que é impossível eu não partilhar com quem quer que leia isso aqui uma pergunta que sempre me vem a cabeça – não só por isso que tá aí em cima, também por qualquer coisa parecida. Mas confesso que isso aí foi uma das coisas que mais me fez sentir isso.
O que você faz quando algo te revolta muito?Eu não estou falando sobre revoltas relacionadas a assuntos pessoais, um chifre da namorada, uma briga com os pais. Eu estou falando daquela revolta que já nasceu para te dizer e te alertar do quão você é impotente. Impotente diante de uma montanha de ignorância que você vê, mas não pode fazer nada. Se essas coisas postadas acima não são uma montanha de ignorância, eu não sei mais o que é. E o pior é que são opiniões. Pessoais. E, sabe como é, dizem por aí que a gente tem que respeitar as opiniões alheias. Mas porra, diante deste tipo de coisa eu digo de boca cheia que eu não respeito qualquer opinião alheia. Eu nem discutiria com um babaca que postasse qualquer coisa parecida com isso. Não há argumentação. Isso é pura paixão. Sim, paixão, essa palavra bonita e frequentemente associada a coisas boas foi o motor dessas eleições, um motor para a maioria das coisas ruins que fomos obrigados a aguentar: polarizações desnecessárias, generalizações, ofensas sem fundamento, falta de respeito, falta de sensatez e tem gente que na “discussão política” (de política não tem uma pica, é só o velho corinthians x são paulo travestido) chegou a faltar com o caráter, como os digníssimos representantes ilustrados acima que, além de indevidamente “culparem” uma região por um resultado que eles não esperavam, ainda partiram para ofensas gravíssimas – gravíssimas não porque são ofensas, um “vai tomar no seu cu, seu filho de uma puta” é tranquilo, mas porque serviram de desculpa para aflorar um preconceito sujo, nojento, alarmante. E, neste caso, eu não condeno mais os paulistas, os sulistas ou os nordestinos. Embora alguns tenham sido espontaneamente babacas enquanto outros foram babacas após provocados, nada justifica você sugerir a morte de um compatriota simplesmente porque ele vive numa região diferente da sua. Nem tão diferentes assim.
Esse pós-eleição foi só o clímax de uma discussão “política” contaminada pelo ódio, pelo bairrismo e pela paixão cega desde o começo – até mesmo quando não havia uma dicotomia. E eu realmente não culpo os candidatos, os partidos, eu culpo as pessoas. Eu nunca tive tão pouca esperança no universo quanto tive nessa época. Eu nunca me senti tão impotente, fraco e perdido no mundo. A cada tweet extremista que eu lia, a cada meia dúzia de comentários que eu via quando ia olhar uma notícia da folha (fica até a dica, leia comentários de notícias da folha quando estiver entediado. É pra rir e pra chorar), a cada insensatez que eu era obrigado a ouvir no trabalho, eu me sentia morrendo um pouco. Isso soa dramático, exagerado, mas pode ter certeza que depois de passar pelo trauma de observar bem a minha primeira eleição após a infância/adolescência/faseondeeunãoentendiaporranenhuma, eu me sinto bem mais compelido a adotar a política do foda-se pra qualquer coisa. E a não acreditar nas pessoas, até aquelas que eu julgva sensatas.
Porque eu não sou obrigado a ler de pessoas que eu considerava inteligentes que a vitória da dilma nos livrou do fascismo – também não sou obrigado a ler da simpática menina que trabalha comigo que ela concorda com as ofensas aos nordestinos que eu mostrei a ela. Aliás, clique aqui para ver algumas. Recomendo aperitivos antidepressivos pra acompanhar.
No mais, se você é meu amigo, conhecido, parente, relacionado, follower ou o caralho que o parta e um dia chegou a pensar na hipótese de talvez considerar a idéia de concordar com qualquer tipo de coisa distantemente parecida com o que um dos caboclos acima disseram, me exclua da rede social que seja, suma da minha frente, me mande tomar no cu e esqueça que eu existo
E então, me ajude: o que você faz quando algo te incomoda e te revolta em alto grau?
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01/06/2011 às 11:07 PM
Devemos reverenciar a educação dessas criaturas a quem? Será que pais sensatos e dignos teriam passado noções tão banais de humanidade?
Gostaria de questionar cada um para tentar entender de onde vem suas referências de civilidade, quem sabe de um grupo de amigos retardados metidos a nazistas, ou da própria ignorância adquirida no medíocre período de suas vidas de merda.
Sei que o post é antigo, mas o tema é sempre atual.
09/11/2010 às 11:43 AM
Pois é cara, eu não entendo essas paradas sabe e nem quero. Sou carioca e moro no nordeste, pra muita gente eu deveria morrer duplamente hahahah. O engraçado é que no fim das contas, quando cada um vai pra regiões diferentes se encantam!
Cara é muita doidera. Veja à exemplo eu mesmo, minha mistura de sotaques já me fizeram passar por preconceitos na minha cidade natal! E no nordeste já notei um certo preconceito de pouquíssimas pessoas (duas ou três) por eu não ser daqui então, burríce é foda! Cara ficar ligando pra essas paradas (onde colocaram até a África nisso) só vai servir pra alimentar o orgulho alheio daqueles que se acham mais importante do que os outros. No final, todo mundo no trânsito solta uma “só podia ser de… qualquer cidade menos a nossa” e se paixão fala alto nessas horas, imagina Hitler, que gozava quando falava em torturar Judeus?
05/11/2010 às 1:50 PM
[...] – Sobre eleições, nordestinos e afins. – Post da Depressão from → Mea culpa ← Nuvens de Algodão 6 comentários leave one [...]
05/11/2010 às 1:47 PM
Entendo sua revolta e compartilho de sua indignação. Felizmente ainda temos pessoas sensatas e inteligentes no Brasil.
04/11/2010 às 6:47 PM
[...] This post was mentioned on Twitter by Lucas Carvalho, Júlia Garcia. Júlia Garcia said: http://desfoque.wordpress.com/2010/11/04/post-da-depressao/ [...]