whatever happened

Eu nunca pude entender, mas um olhar rápido e de canto de olho poderia sublimar qualquer resquício de dureza que pudesse haver no mundo. Sob meus passos cambaleantes, comprovadamente ébrios, eu estava completamente são da situação: Avenida Paulista, 3 da manhã e eu estava sozinho como se estivesse numa cidade pequena, tão sozinho quando nunca estive, exceto por única garota, tão sozinha quanto eu. Ela estava andando há 5 ou 6 metros atras de mim com passos bem mais firmes que, entretanto, soavam medrosos e apreensivos a cada batida seca do salto baixo na calçada. Ela estava assustada.

Diminuí o ritmo dos meus passos para que eu pudesse estar mais proximo, e eu também não entendo porque fiz isso. Logo estávamos no mesmo meridiano. Eu acho que estava com tanto medo quanto ela. Então ela olhou.
E então meu ombro foi puxado por algo que eu não sei o que é, é sério, ele era realmente puxado. Magnetizado. Eu estava mais proximo dela agora e ela, ao contrário do que seria óbvio presumir, não se afastou. Tampouco pareceu dar atenção. E então aproximamos os ombros, os braços e demos as mãos.

Caminhamos lentamente por mais de um quilômetro, o metrô estava fechado, bem como os meus sentidos. Não sei a respeito dos dela: não trocamos uma só palavra, um só sorriso. Nos comunicamos atraves de um olhar inicial e pelo calor das mãos, e mais nada. E então ela me soltou, virou na Brigadeiro Luís Antônio.
O que ela pensou, o que ela sentiu e o que nos motivou são dúvidas que permaneceram em mim por muito tempo. O brilho dela era como o do vidro, angular e subjetivo – quanto mais eu procurava algo, mais eu via o outro lado. Mais eu via mais. Do mesmo que eu viria sem ela.

eu sei que eu não sou genial, relaxa.

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3 Comentários em “whatever happened”

  1. Ana Diz:

    Muito bonito…são contos como esse que fazem eu gostar de literatura: palavras bem escolhidas, organizadas em um tom que exprime os sentimentos do personagem e fazem o leitor sentir como se ele mesmo estivesse experimentando aquele sensação.
    Na faculdade quase que me convenci que não gostava de literatura, pois lia por obrigação textos clássicos/velhos/chatos. Mas, ainda bem, eu ainda sinto prazer lendo textos como esse. Investe na tua escrita!

  2. Patricia Diz:

    Gostei do conto =)

  3. isaac Diz:

    amigo, nao acredito que você deixou essa gata escapar.


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