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	<title>Desfoque</title>
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		<title>Desfoque</title>
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		<title>[Os postasmas] #5 – Galactica, Ambrose, Attack, Zuckerberg</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2011 15:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Postasmas]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
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		<description><![CDATA[Postasma? É uma palavra tosca, eu sei, mas ela tem um significado. Entenda aqui. . Eu não sei o que pode desestimular uma pessoa completamente a escrever. Mas eu estou bem desestimulado. Talvez um sentimento ainda não nominado que mistura a inércia, a procrastinação, o tédio e um sutil emburrecimento por parte deste que vos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=601&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Postasma? É uma palavra tosca, eu sei, mas ela tem um significado. Entenda <a href="http://desfoque.wordpress.com/2010/03/03/os-postasmas-1-a-inauguracao/">aqui</a>.</em></p>
<p><em>.</em></p>
<p style="text-align:left;">Eu não sei o que pode desestimular uma pessoa completamente a escrever. Mas eu estou bem desestimulado.<br />
Talvez um sentimento ainda não nominado que mistura a inércia, a procrastinação, o tédio e um sutil emburrecimento por parte deste que vos fala.<br />
É sério, frequentemente eu sinto que estou emburrecendo. Ou me tornando uma pessoa tão crítica &amp; auto-crítica que tudo soa muito ridículo, desinteressante e/ou patético. E isso é muito grave. E isso me lembra Claire Fisher (um quote dela diz algo parecido como tudo e todo mundo a cansar e entediar, e que ela está de saco cheio com isso, porque ser tão escroto assim é uma merda), que me lembra Lauren Ambrose.</p>
<p><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/1009-lauren-ambrose-1-mdn.jpg"><img class="size-full wp-image-602 aligncenter" style="border:black 3px solid;" title="1009-lauren-ambrose-1-mdn" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/1009-lauren-ambrose-1-mdn.jpg?w=450" alt=""   /></a><br />
<strong>#Lauren Ambrose</strong> Que me lembra que ela é uma atriz fantástica (que fez um dos melhores papéis de adolescente já vistos), que ela é absolutamente muito bonita, que ela é ruiva natural e que, infelizmente, ela não é uma atriz conhecida. E que, além de tudo isso, ela ainda pode cantar. E MUITO BEM.</p>
<p style="text-align:center;"><em><span style="color:#c0c0c0;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='450' height='284' src='http://www.youtube.com/embed/GzLrNScx3O4?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span><br />
E, por isso, eu quero dividir isso aqui com os bróder.<br />
</span></em></p>
<p style="text-align:left;">E <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1ZOeHQcfDqg">isso</a>, e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=70-exz5FcJk">isso</a>. Ela é bonita, ela é foda, ela canta, ela canta jazz e ela faz cover do lcd soundsystem, o que significa que eu estou apaixonado por ela.<br />
Com0 se eu não fosse apaixonado por qualquer personagem ou ator de Six Feet Under. É sério, eu já terminei de ver essa série há mais de 6 meses e é uma das coisas sobre as quais eu sempre quero ler mais, rever uma cena, falar a respeito.<br />
É divertido como algumas coisas ficcionais podem tocar a gente de maneira quase sobrenatural.<br />
Obvio que isso tem a ver com um elenco assombroso, o realismo absurdo e o roteiro fodido. E com todo o puxassaquismo que eu já fiz<a href="http://desfoque.wordpress.com/2010/05/02/porque-voc-tem-que-ver-six-feet-under/"> neste post</a>.<br />
E Six Feet Under me lembra séries, que me lembra a série que eu tô vendo agora, Battlestar Galactica.</p>
<p style="text-align:left;"><strong><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/battlestar_galactica.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-605" title="Battlestar_Galactica" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/battlestar_galactica.jpg?w=274&#038;h=227" alt="" width="274" height="227" /></a>#Battlestar Galactica </strong>Eu sou um cara muito, muito chato para séries. Porque a maioria é tosca mesmo.<br />
Dado o meu supracitado grau de envolvimento com Six Feet Under, venho a algum tempo buscando algo que me entretesse e me fizesse pensar no mesmo nível. Não que eu seja uma dessas pessoas que acha que algo tem que fazer pensar pra valer a pena. Sou extremamente partidário do entretenimento pelo entretenimento &#8211; pode se empanturrar de BBB que eu ainda vou te achar uma pessoa bacana, ao menos que você torne isso um dos motes da sua vida e o único assunto possível no twitter por 3 meses. Afinal, eu posso passar 5 ou 6 hopras jogando pokemon, às vezes. Mas é que se eu vou ver uma série com 400 mil temporadas e 600 milhões de horas, eu prefiro escolher algo que vá um pouco além da mesma investigação criminal com final surpresa em todos os capítulos e/ou probleminhas médicos com soluções inesperadas propostas por médico-ídolo de pessoas que se acham muito sarcásticas.<br />
Daí fui por uma opção mais segura, Battlestar Galactica, porque recebi umas 3 indicações de <em>pessoas confiáveis</em>. Sabe como é, existem pessoas confiáveis para indicações e existem as que não são. E daí que valeu a pena, porque a série é muito boa.<br />
Olha, eu nunca fui fã de sci-fi, não sei porras de star wars e, enfim, eu nunca fui um nerd de carteirinha e temáticas do estereótipo nerd (tolkien, rpg, vikings, coisas medievais, espaçonaves e fantasia) nunca foram minhas preferidas. Mas explico o que é encantador em battlestar galactica: não é uma série sobre o espaço, é uma série sobre pessoas, sobre sociedade, sobre política, sobre militares e sobre relacionamentos inserida num contexto intergalático. Contexto muito bem feito, por sinal, bem fantasioso mas com um pé no plausível. Além disso, a série constrói vagarosamente (VAGAROSAMENTE, VIU, LOST) uma série de bons mistérios e uma mitologia própria. Ou seja, eu tenho a impressão de que eu estou vendo uma narrativa de mistérios decente, que é o que lost deveria ter sido se não tivesse se afogado em tanta enrolação depois de um certo tempo.<br />
Ainda não me envolveu como Six Feet Under. Nem acho que vá envolver. Mas tá funcionando como um ótimo entretenimento, com boas reflexões, bons momentos de drama e humor (sério, aquele babaca do Baltar alucinando na frente de geral é muito bom) e bons personagens. E eu me emociono com os momentos em que o velho adama (o chefão da nave) demonstra sentimentos. É. Só Deus pode me julgar por isso.</p>
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/tricia_helfer_battlestar_galactica.jpg"><img class="size-medium wp-image-604" title="tricia_helfer_battlestar_galactica" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2011/01/tricia_helfer_battlestar_galactica.jpg?w=300&#038;h=169" alt="" width="300" height="169" /></a><p class="wp-caption-text">E, além de tudo, temos CYLON WATTS (L) como uma alucinação/fantasma/robô/cover da naomi watts/cover da milla jovovich sendo a personagem mais safada da história das 12 colônias</p></div>
<p style="text-align:left;">Embora o final não seja exatamente o que eu esperava por dar uma de Lost e justificar tudo com base no místico, o balanço final da série ainda ficou muito positivo pra mim.</p>
<p style="text-align:left;">..</p>
<p style="text-align:left;">E daí que tudo que está escrito acima (menos a parte do final da série) foi escrito há dois meses atrás e eu não lembro mais o que eu queria falar sobre Massive Attack (considerando que eu sou paga-pau da banda, provavelmente eu ia ficar aqui pagando pau mesmo) e sobre o filme do Mark Zuckerberg. Era algo sobre ser uma pessoa com capacidade de realização, mas eu ando me achando o cara com a menor capacidade de realização<strong> de todo o planeta</strong>, então não vamos tocar nesse assunto <em>delicado</em>.</p>
<p>Talvez eu fosse falar algo sobre não conseguir mais escrever nada, mas isso não tem só a ver com eu estar menos<em> fértil</em> do que solo no deserto, tem a ver também com a supracitada incapacidade de realização, procrastinação patológica e vagabundagem nata, além de péssima auto-estima criativa/intelectual, o que no final das contas parece bem engraçado, mas é bem, bem triste.<br />
Também me lembro de querer fazer um post sobre a minha viagem de férias em algum momento da minha vida, sobre o quão divertido pode ser conhecer coisas novas e sair um pouco da zona de conforto, mas as férias já acabaram e por ALGUM MOTIVO MISTERIOSO o mundo não me parece mais tão bonito após o fim delas.</p>
<p style="text-align:center;">Fiquem aí com a Anneke porque nunca é demais espalhar vídeos de uma cantora que se emociona enquanto canta. Indiquem este vídeo para qualquer pessoa que tenha um coração dentro da caixa torácica AND SPREAD THE LOVE THROUGH THE WORLD, bróders.<br />
<span style="color:#888888;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='450' height='284' src='http://www.youtube.com/embed/4nOPWW9tqZE?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/601/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=601&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>whatever happened</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Nov 2010 00:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[my propeller won't spin and i can't get ii started on my own]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu nunca pude entender, mas um olhar rápido e de canto de olho poderia sublimar qualquer resquício de dureza que pudesse haver no mundo. Sob meus passos cambaleantes, comprovadamente ébrios, eu estava completamente são da situação: Avenida Paulista, 3 da manhã e eu estava sozinho como se estivesse numa cidade pequena, tão sozinho quando nunca [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=595&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Eu nunca pude entender, mas um olhar rápido e de canto de olho poderia sublimar qualquer resquício de dureza que pudesse haver no mundo. Sob meus passos cambaleantes, comprovadamente ébrios, eu estava completamente são da situação: Avenida Paulista, 3 da manhã e eu estava sozinho como se estivesse numa cidade pequena, tão sozinho quando nunca estive, exceto por única garota, tão sozinha quanto eu. Ela estava andando há 5 ou 6 metros atras de mim com passos bem mais firmes que, entretanto, soavam medrosos e apreensivos a cada batida seca do salto baixo na calçada. Ela estava assustada.</p>
<p>Diminuí o ritmo dos meus passos para que eu pudesse estar mais proximo, e eu também não entendo porque fiz isso. Logo estávamos no mesmo meridiano. Eu acho que estava com tanto medo quanto ela. Então ela olhou.<br />
E então meu ombro foi puxado por algo que eu não sei o que é, é sério, ele era realmente puxado. Magnetizado. Eu estava mais proximo dela agora e ela, ao contrário do que seria óbvio presumir, não se afastou. Tampouco pareceu dar atenção. E então aproximamos os ombros, os braços e demos as mãos.</p>
<p>Caminhamos lentamente por mais de um quilômetro, o metrô estava fechado, bem como os meus sentidos. Não sei a respeito dos dela: não trocamos uma só palavra, um só sorriso. Nos comunicamos atraves de um olhar inicial e pelo calor das mãos, e mais nada. E então ela me soltou, virou na Brigadeiro Luís Antônio.<br />
O que ela pensou, o que ela sentiu e o que nos motivou são dúvidas que permaneceram em mim por muito tempo. O brilho dela era como o do vidro, angular e subjetivo &#8211; quanto mais eu procurava algo, mais eu via o outro lado. Mais eu via mais. Do mesmo que eu viria sem ela.</p></blockquote>
<p>eu sei que eu não sou genial, relaxa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/595/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=595&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Post da Depressão</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2010 11:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas (ou texto sobre qualquer viajada não-narcótica)]]></category>
		<category><![CDATA[babacas]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[    Isso não tem graça. Eu não costumo postar nada relativo a assuntos muito comentados e, como as figuras acima estão diretamente relacionadas as escrotas e recém realizadas eleições, eu não deveria estar falando disto. Mas isso é tão triste, revoltante, indignante, indecente e eu não sei mais o quê, que é impossível eu não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=579&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/11/babaca1.png"></a></h1>
<p><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/11/babaca2.png"></a></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/11/imagem1.png"><img class="aligncenter size-large wp-image-590" style="border:black 3px solid;" title="imagem" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/11/imagem1.png?w=424&#038;h=655" alt="" width="424" height="655" /></a> <span style="color:#000000;"> <a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/11/imagem.png"></a></span> </p>
<p>Isso não tem graça. Eu não costumo postar nada relativo a assuntos muito comentados e, como as figuras acima estão diretamente relacionadas as escrotas e recém realizadas eleições, eu não deveria estar falando disto. Mas isso é tão triste, revoltante, indignante, indecente e eu não sei mais o quê, que é impossível eu não partilhar com quem quer que leia isso aqui uma pergunta que sempre me vem a cabeça &#8211; não só por isso que tá aí em cima, também por qualquer coisa parecida. Mas confesso que isso aí foi uma das coisas que mais me fez sentir isso.</p>
<p><strong>O que você faz quando algo te revolta muito?</strong>Eu não estou falando sobre revoltas relacionadas a assuntos pessoais, um chifre da namorada, uma briga com os pais. Eu estou falando daquela revolta que já nasceu para te dizer e te alertar do quão você é impotente. Impotente diante de uma montanha de ignorância que você vê, mas não pode fazer nada. Se essas coisas postadas acima não são uma montanha de ignorância, eu não sei mais o que é. E o pior é que são opiniões. Pessoais. E, sabe como é, dizem por aí que a gente tem que respeitar as opiniões alheias. Mas porra, diante deste tipo de coisa eu digo de boca cheia que <strong>eu não respeito qualquer opinião alheia</strong>. Eu nem discutiria com um babaca que postasse qualquer coisa parecida com isso. Não há argumentação. Isso é pura paixão. Sim, paixão, essa palavra bonita e frequentemente associada a coisas boas foi o motor dessas eleições, um motor para a maioria das coisas ruins que fomos obrigados a aguentar: polarizações desnecessárias, generalizações, ofensas sem fundamento, falta de respeito, falta de sensatez e tem gente que na &#8220;discussão política&#8221; (de política não tem uma pica, é só o velho corinthians x são paulo travestido) chegou a faltar com o caráter, como os digníssimos representantes ilustrados acima que, além de indevidamente &#8220;culparem&#8221; uma região por um resultado que eles não esperavam, ainda partiram para ofensas gravíssimas &#8211; gravíssimas não porque são ofensas, um &#8220;vai tomar no seu cu, seu filho de uma puta&#8221; é tranquilo, mas porque serviram de desculpa para aflorar um preconceito sujo, nojento, alarmante. E, neste caso, eu não condeno mais os paulistas, os sulistas ou os nordestinos. Embora alguns tenham sido espontaneamente babacas enquanto outros foram babacas após provocados, nada justifica você <em>sugerir</em> a morte de um compatriota simplesmente porque ele vive numa região diferente da sua. Nem tão diferentes assim.<br />
Esse pós-eleição foi só o clímax de uma discussão &#8220;política&#8221; contaminada pelo ódio, pelo bairrismo e pela paixão cega desde o começo &#8211; até mesmo quando não havia uma dicotomia. E eu realmente não culpo os candidatos, os partidos, eu culpo as pessoas. Eu nunca tive tão pouca esperança no universo quanto tive nessa época. Eu nunca me senti tão impotente, fraco e perdido no mundo. A cada tweet extremista que eu lia, a cada meia dúzia de comentários que eu via quando ia olhar uma notícia da folha (fica até a dica, leia comentários de notícias da folha quando estiver entediado. É pra rir e pra chorar), a cada insensatez que eu era obrigado a ouvir no trabalho, eu me sentia morrendo um pouco. Isso soa dramático, exagerado, mas pode ter certeza que depois de passar pelo trauma de observar bem a minha primeira eleição após a infância/adolescência/faseondeeunãoentendiaporranenhuma, eu me sinto bem mais compelido a adotar a <strong>política do foda-se </strong>pra qualquer coisa. E a não acreditar nas pessoas, até aquelas que eu julgva sensatas.<br />
Porque eu não sou obrigado a ler de pessoas que eu considerava inteligentes que a vitória da dilma nos livrou do fascismo &#8211; também não sou obrigado a ler da simpática menina que trabalha comigo que ela <strong>concorda </strong>com as ofensas aos nordestinos que eu mostrei a ela. Aliás, <a href="http://xenofobianao.tumblr.com/">clique aqui </a>para ver algumas. Recomendo aperitivos antidepressivos pra acompanhar.</p>
<p>No mais, se você é meu amigo, conhecido, parente, relacionado, follower ou o caralho que o parta e um dia chegou a pensar na hipótese de talvez considerar a idéia de concordar com qualquer tipo de coisa distantemente parecida com o que um dos caboclos acima disseram, me exclua da rede social que seja, suma da minha frente, me mande tomar no cu e esqueça que eu existo <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>E então, me ajude: o que você faz quando algo te incomoda e te revolta em alto grau?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/579/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/579/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=579&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[Os postasmas] #4 – O Livro, o álbum e o filme</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 17:14:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Postasmas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[massive attack]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[palahniuk]]></category>

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		<description><![CDATA[[Não sabe o que é Postasma? Clique aqui.] Às vezes você sente que poderia ter muito a dizer. Que há algo enorme enclausurado na sua cabeça, uma coisa realmente grante, uma idéia blockbuster. E você não faz muita idéia de como libertar isso. Daí o que você faz? Escreve sobre qualquer coisa e se sente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=570&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[Não sabe o que é Postasma? <a href="http://desfoque.wordpress.com/2010/03/03/os-postasmas-1-a-inauguracao/">Clique aqui</a>.]</p>
<p>Às vezes você sente que poderia ter muito a dizer. Que há algo enorme enclausurado na sua cabeça, uma coisa realmente grante, uma idéia blockbuster. E você não faz muita idéia de como libertar isso.<br />
Daí o que você faz? Escreve sobre qualquer coisa e se sente disperdiçando algo de bom. Mas é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada.<br />
Esse papo de gênio incompreendido é tosco, eu sei. Então vamos aos postasmas.</p>
<p><strong><em><img class="size-medium wp-image-572 alignleft" title="haunted" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/haunted.jpg?w=193&#038;h=300" alt="" width="193" height="300" />&#8220;You. Now you can take a good, deep breath. I still have not.&#8221; <span style="color:#888888;">(O Livro)</span></em></strong>Palahniuk, esse doente. Pra quem não sabe, Chuck Palahniuk é o escritor que eu origem ao um dia famigerado e hoje cultuado filme Clube da Luta. O salto dele pra fama. Eu ja li alguns livros deles sendo que, até hoje, O Sobrevivente (Survivor) continua sendo meu favorito -  não por ser o melhor, mas por ter sido o primeiro que li. O Problema do Palahniuk é que a estrutura do que ele escreve é sempre meio parecida. Você vai notar as mesmas manias, os mesmos trechos esquisitos e as mesmas críticas de metralhadora giratória, que aponta pra tudo que pertença ao mundo moderno, capitalista, egocêntrico e whatever. Mas ele sempre consegue ser bom em te deixar com cara de WHAT THE FUCK. E isso é uma enorme qualidade.<br />
Enfim, eu li <strong>Assombro</strong> (Haunted), o livro dele que eu mais queria ler. É fantástico, embora irregular. A obra alterna entre três estruturas distintas: poemas, contos e uma narrativa comum de um romance. Os poemas geralmente são complementos dos contos, te ajudando a compreender algum aspecto do personagem a que se refere.  A &#8220;narrtiva comum&#8221; fala sobre um monte de escritores que acham que estão participando de um reality show, mas na verdade estão presos num &#8220;experimento social&#8221; de um velho demente. Estes escritores vão ficando malucos. Embora a crítica contida nessa história seja válida, é algo mais óbvio, mais simplório &#8211; mesmo que seja ilustrada com as cenas mais bizarras que você pode imaginar como, por exemplo, pessoas comendo a bunda de uma mulher viva. E por comendo a bunda, entenda COMENDO no sentido antropofágico, e não no sentido pornô. Sobre essa parte, é divertido perceber que, embora não daquela forma, aquilo acontece. Esse trecho me fez lembrar bastante do resgate dos mineiros no Chile, por sinal.<br />
Mas o livro gira em torno dos contos, escritos pelos personagens da narrativa central, contando trechos tensos de suas próprias vidas. Alguns dos mais fantásticos que eu já li na vida, a começar por Guts, o conto mais famoso do autor e um dos que mais circulam na internet. É a coisa mais visceral, tensa, angustiante, nojenta e devastadoramente triste (embora a maioria das pessoas não concordem com isso) que eu já li. A maioria acha apelativo, engraçado, nojento demais ou desnecessário. Mas eu vejo TANTA coisa dita naquele conto que eu não consigo sentir um nó enorme na garganta toda vez que leio a última frase do conto &#8211; por sinal, o titulo desta postagem.<br />
Alguns outros contos me causaram o mesmo arrebatamento, embora nenhum tenha o mesmo apelo &#8220;sensorial&#8221; de Guts. Todos os contos revelam trechos podres do mundo, mecânicas esquisitas da sociedade capitalista, fragilidades enormes dos seres humanos. Algumas coisas que ficam bem difíceis de soarem verossímeis até, mas se você ampliar o olhar sob as coisas e pessoas (e sites pornôs com zoofilia e todo o tipo de coisa que a gente sempre acha que não existe <em>de verdade</em>), consegue imaginar que alguém realmente faz aquilo.</p>
<p>Top 7 melhores contos que você deveria ler.</p>
<p><strong>#1 &#8211; Post-Production (Pós-Produção) &#8211; </strong>O Conto que mais me pegou, depois de Guts. Arrebatador, verdadeiro e extremamente humano.<br />
<strong>#2 &#8211; Exodus (Êxodo) -</strong> Divide com Guts o posto de conto mais triste e fúnebre. Esse, ao contrário de quase todos os outros, não é centrado na personagem que o escreve, e sim numa conhecida dela. Meio que sobre estar cansado de ver tudo podre e se apegar a defender aquilo que você ainda acha decente. Ou sobre pedofilia, silêncio e conivência.<br />
#<strong>3 &#8211; Obsolete (Obsoletos) &#8211; </strong>Um conto que não tem nada a ver com o resto do livro. É o último e, ao contrário de todos os outros, não se refere a uma história passada e sim, aparentemente, sobre uma perspectiva de futuro. Talvez uma das melhores visões apocalípticas que eu já vi. <em>Viver é obsoleto, é fora de moda.</em><br />
<strong>#4 &#8211; Slumming (Não lembro o nome em português) &#8211; </strong>Pobreza é a nova riqueza, diz o texto. É sobre o tédio que consome as pessoas, fazendo as buscar algo que as torne vivas. Muito da pegada de Clube da luta aqui.<br />
<strong>#5 &#8211; Civil Twilight (Crepúsculo Civil)</strong> &#8211; Tem gente que achou esse conto divertido, mas eu achei um dos contos mais &#8220;de terror&#8221; do livro todo. Ele criou um &#8220;monstro&#8221; bacana, que você não consegue relacionar bem ao personagem que escreve (a irmã-vigilante) até certo ponto. Acho um dos contos mais obscuros e sobrenaturais, embora não seja, de fato, sobrenatural. No mais, fiquei impressionado porque quando criança eu sonhava com algo assim. O aspecto relacionado a segurança pública também é bem&#8230; reflexivo.<br />
<strong>#6 &#8211; Punch Drunk (Não lembro o nome em português) </strong>- Lembra bastante a pegada de clube da luta, é sobre um ex-soldado que, na falta do que fazer pra ganhar dinheiro, sai por aí cobrando dinheiro para que as pessoas o espancassem. Vendo que o negócio não andava mais bem, ele resolveu elevar tudo ao próximo nível de demência. É também dos mais divertidos e, como todos os outros, irônico e crítico.<br />
<strong>#7 &#8211; Product Placement (Colocação de Produtos)</strong> &#8211; Talvez um dos mais divertidos. É uma carta de um cozinheiro a uma empresa de facas, declarando sua satisfação com a qualidade dos produtos, tão bons que <em>cortam qualquer coisa</em>.</p>
<p>O melhor do livro é ele conseguir evocar um certo terror sem apelar pro sobrenatural e, às vezes, sem apelar pra morte e pra assassinos.<br />
A propósito, o estilo de contos do Palahniuk me lembrou muito as coisas que eu já li do Rubem Fonseca no <a href="http://desfoque.wordpress.com/2010/03/03/os-postasmas-1-a-inauguracao/">Secreções, Excreções e Desatinos</a> e no Os Prisioneiros.<br />
Ah, um dia eu transcrevo algum desses contos. Na internet, só achei <a href="http://forum.outerspace.terra.com.br/showthread.php?t=126477">Guts</a> e <a href="http://complexodecassandra.wordpress.com/2010/07/17/colocacao_de_produtos/">Product Placement</a>, que você pode ler clicando nos links.</p>
<p><strong><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/massive-attack-heligoland1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-574" title="picture 5760" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/massive-attack-heligoland1.jpg?w=193&#038;h=226" alt="" width="193" height="226" /></a>Repeating Joke. <span style="color:#888888;">(O álbum)</span></strong></p>
<p>Massive attack foi definitivamente a banda que me &#8220;pegou&#8221; esse ano, junto com o queens of the stone age. E, por um tiro de sorte raro na minha vida, as duas marcaram shows no Brasil este ano. Eu ia no SWU pra ver o Queens, mas desisti por causa do preço exorbitante e pelo possível setlist sem graça que eles tocariam. Não me arrependi de não ter ido. Já sobre o Massive, eu já comprei o ingresso &#8211; por mais que o possível setlist também não me anime muito.<br />
O <strong>Heligoland </strong>- lançado este ano &#8211; está me soando o melhor álbum deles &#8211; até melhor que o mezzanine, que tem a adorada venerada salve salve melhor música da carreira, Group Four. É completamente irrotulável, não aquela cacoetagem de trip-hop (que é dito como estilo dele), é bem variado e, ainda assim, coeso. É uma grande viagem experimental, passando por um monte de feelings diferentes. Me soa original, autoral e bem feito. Além de ser bem orgânico, então você sente que tá ouvindo pessoas tocarem mesmo, e não umas mil camadas de sintetizadores.<br />
No começo, o álbum não me agradou tanto assim. Mas música a música, eu fui gostando mais, sendo que Babel foi a última música que eu viciei &#8211; eu sempre achei que o massive attack tem o dom de chamar participações femininas chatas pra cantar, mas de vez em quando eles acertam.<br />
O álbum já abre com a melhor música, Pray For Rain, uma combinação de piano, maluquices na percurssão e alguns momentos altos. É uma música agradável, pra qualquer momento, com uns toques tribais. Outros destaques são:<br />
Splitting the Atom, a música mais triste do álbum, com um tom amargo sobre a sociedade, que vive repetindo a mesma piada. Instrumentalmente, parece, sei lá, um hip-hop adulto.<br />
Girl I Love You, a minha preferida, que é uma mistura de baixo pulsante, um reggae meio soturno e uma parte muito tensa de orquestra de sopro (eu acho que é isso).<br />
Paradise Circus, que me conquistou pelo instrumental, que parece uma roda de pessoas batendo palmas, batuques e os pés no chão. A voz da menina é bonita e não irrita. Álém do que, o final da música é meio épico e parece final de episódio de Six Feet Under. Daqueles pra chorar.<br />
Atlas Air, que fecha o álbum sendo aquela música foda com um momento catártico para shows (05:42, é muito surtante essa parte). É a música mais eletrônica do álbum, além de percurssão árabe. E é o vocalista da banda que canta e, acreditem, isso é raro, a banda se faz em cima de special guests. Eu geralmente prefiro quando ele mesmo canta.</p>
<p>Boas letras, músicas agradáveis, bons vocalistas, variedade e originalidade e nessa você tem meu álbum preferido de 2010. Considerando que eu ouvi só uns 5 álbuns lançados este ano. Seja inescrupuloso e baixe <a href="http://rapidshare.com/#!download|438|349133043|MASSIVE_ATTACK_-_Heligoland__2010_.rar|95535">aqui</a>.</p>
<p><strong><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/martyrs1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-575" title="martyrs1" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/martyrs1.jpg?w=185&#038;h=300" alt="" width="185" height="300" /></a>Mártires <span style="color:#888888;">(O Filme)</span></strong></p>
<p>Eu sou uma dessas pessoas doentias que são apaixonadas por filmes de terror, gore, splatter, zumbis e toda a sorte de coisas fatais e nojentas que as pessoas podem fantasiar. Além de ser um gênero que permite o máximo de imaginação e surrealismo, é um dos mais divertidos e, por sempre lidar com um tema pesado &#8211; a morte &#8211; é potencialmente um dos que mais permitiram bons roteiros, arcos dramáticos e reflexões. Potencialmente. Na prática, a gente vê milhões de porcarias surgindo o tempo todo, apenas retalhando personagens sem empatia. Tudo muito seguro, sem causar desconforto, puramente comercial. Tanto quanto as comédias românticas. É claro que tem muita coisa boa por aí, mas surpreende quando surge algo bom, original e novo, num mercado cinemátográfico cada vez mais focado em lançar blockbusters.<br />
O francês <strong>Martyrs </strong>é, sem dúvidas, um dos filmes mais surpreendentes que eu já vi. Além de ter superado infinitamente a minha expectativa e de ter um dos finais mais interessantes que eu já vi, ele te surpreende mais umas quatro vezes, principalmente porque o filme parece que vai acabr aos 40 minutos e do nada ganha um fôlego incrível a praticamente mudar toda a sinopse do filme &#8211; aliás, a maioria das sinopses do filme por aí se referem apenas a primeira parte: uma garota torturada na infância sai em busca de vingança junto de sua melhor amiga.<br />
É um filme INDIGESTO, ruim de ver, incômodo, desagradável, extremamente violento e nada gratuito &#8211; incômodo pra qualquer um, acostumado ou não a este tipo de filme. E eu não digo apenas nada gratuito por causa do final existencial, digo que toda a violência do filme está ali para contar uma história: uma história de terror moderna, factível, real. Possível.<br />
&#8220;Mas ainda é um filme de terror e quer chocar.&#8221; eu li numa resenha por aí. E é verdade. Não é um drama, não é cult, não tem muitos diálogos, não tem atores oscarizados. E tem violência. E sangue. E crueldade. Mas uma crueldade longe da vaziez dos chamados torture porn. Incomparável a Saw, Hostel e filmes do gênero. A tudo isso, soma-se a boa produção, as duas ótimas atrizes principais, o clima sério (não tem piadinhas pra cortar clima) e o roteiro que deixa várias perguntas o tempo todo e não é covarde em respondê-las. Também sou fã das <em>&#8220;incursões sobrenaturais&#8221;</em> do filme.<br />
Sendo um filme bastante triste e com um final quase que poético, martyrs me parece uma combinação plausível de horror e drama. Se você consegue realizar essa junção na sua cabeça, assista a esse filme.<br />
.avi legendado pros irmão <a href="http://www.megaupload.com/?d=F7FCVR6A">aqui</a>.</p>
<p>.</p>
<p>E eu que falei que ia dar uma pausa no blog.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/570/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/570/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=570&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Anger Point</title>
		<link>http://desfoque.wordpress.com/2010/10/14/anger-point/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 20:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Absolutamente nada]]></category>
		<category><![CDATA[desabafo]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados responsáveis pelo processo seletivo do programa de Trainee Gerdau 2011, Venho, através deste e-mail, confirmar a minha não participação nas etapas subsequentes do processo no qual me inscrevi e fui aprovado nas duas primeiras etapas, já que acabo receber um telefonema que informa ser impossível a minha evolução para as próximas etapas. A motivação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=567&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Prezados responsáveis pelo processo seletivo do programa de Trainee Gerdau 2011,</em></p>
<p><em>Venho, através deste e-mail, confirmar a minha não participação nas etapas subsequentes do processo no qual me inscrevi e fui aprovado nas duas primeiras etapas, já que acabo receber um telefonema que informa ser impossível a minha evolução para as próximas etapas.</em><br />
<em>A motivação para tal impedimento deu-se através da graduação que concluí: possuo o título de tecnólogo em gestão empresarial com ênfase em marketing, e não o bacharelado &#8211; condição esta aparentemente um pré-requisito para participar da seleção, embora eu não me lembre de ter visto explicitado em lugar algum. E, mesmo que por um lapso de atenção estivesse e eu não tivesse notado, creio eu que uma seleção atenciosa dos participantes ainda na primeira etapa, a da análise de currículos, teria rapidamente identificado este impedimento e interrompido a minha aprovação para outras etapas.</em><br />
<em>Gostaria apenas esclarecer que, ao contrário do termo utilizado pela atenciosa garota (reconheço que possivelmente apenas uma porta-voz de diretrizes que estão acima dela) que me notificou do incidente, o título de tecnólogo me confere sim uma graduação &#8220;comum&#8221; ou &#8220;normal&#8221;, reconhecida pelo MEC e passível de iniciações científicas e continuação dos estudos em níveis latu e strictu sensu. Frente a um mercado de trabalho dinâmico e carente de especialidades, os cursos de tecnologia surgiram nos EUA &#8211; coincidentemente uma das economias mais desenvolvidas do mundo &#8211; como forma de acelerar a formação de profissionais para que adentrassem o mercado de trabalho. Embora o conceito de &#8220;aceleração&#8221; remeta a uma certa carência de cuidados com a formação, a dinâmica do curso é possível em razão de seu alto nível de especialização e, em instituições sérias, disciplinas exigentes e frequentes cargas horárias de estudo extra. </em><br />
<em>Sendo assim &#8211; embora eu reconheça ser direito de qualquer instituição contratar quaisquer profissionais sob quaisquer requisitos &#8211; manifesto-me insatisfeito com os responsáveis pelo processo seletivo por não atentarem a lisura de seus procedimentos e também insatisfeito com as políticas de recrutamento da Gerdau, que contribuem para que se perpertue o preconceito contra os tecnólogos, profissionais tão capacitados para mercado quanto bacharelados, divergindo destes apenas por um título ou uma quantidade pouco relevante de horas/aula.</em><br />
<em>De qualquer forma, agradeço a oportunidade e a gentileza de me avisar sobre o impedimento antes que, de fato, eu estivesse em São Paulo.</em></p>
<p><em>Atenciosamente,</em></p>
<p><em>Lucas Carvalho.<br />
</em></p></blockquote>
<p>Para todos aqueles que fazem de uma derrota minúscula uma causa pra lutar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/567/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/567/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=567&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>team edward x team jacob</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2010 17:08:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas (ou texto sobre qualquer viajada não-narcótica)]]></category>
		<category><![CDATA[anti-hype]]></category>
		<category><![CDATA[crePÚSculo]]></category>
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		<category><![CDATA[hipocrisia]]></category>
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		<description><![CDATA[E lá vamos nós entrar no campo dos textos potencialmente perigosíssimos. É claro que meu texto terá brechas argumentativas terríveis, contradições monstruosas, imaturidade ideológica e toda a sorte de ofensas pedantes que você pode tentar criar após lê-lo. E daí você tem que saber antes que, ao ter apenas pensado em digitar a palavra &#8220;falácia&#8221;, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=561&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E lá vamos nós entrar no campo dos textos potencialmente perigosíssimos. É claro que meu texto terá brechas argumentativas terríveis, contradições monstruosas, imaturidade ideológica e toda a sorte de ofensas pedantes que você pode tentar criar após lê-lo. E daí você tem que saber antes que, ao ter apenas pensado em digitar a palavra &#8220;falácia&#8221;, eu já perdi todo o respeito que eu poderia ter por você. Tentarei ser breve.</p>
<div id="attachment_564" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/olavo_de_carvalho_03.jpg"><img class="size-medium wp-image-564" title="Olavo_de_Carvalho_03" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/olavo_de_carvalho_03.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">da série de pessoas que usam a palavra &quot;falácia&quot; frequentemente</p></div>
<p>Olha, não é de hoje que eu amadureço uma certa concepção sobre essa coisa de direita e esquerda. É uma coisa que me incomoda com muita força. E, seguindo a proposta do blog, eu não falarei de um assunto em voga (eleições), falarei apenas sob aspectos gerais dessa dicotomia entre duas posições políticas absolutas, cada uma delas funcionando como um pacotinho de clichês sob os quais você deve lutar, acreditar e debochar da opinião contrária. Na verdade, no final das contas, essa polarização me soa muito parecida com maniqueísmo. Sabe, novela da globo. Temos uma vilã, temos a mocinha virgem, alguém ganha, alguém perde e o mundo é sempre raso assim. Não há escalas graduais. Tem A, tem B, nada entre A e B. Opção C então está fora de questão.<br />
Sabemos por observação pessoal (sim, eu não sei porque um teórico whatever me disse em seu livro de 1950) que as pessoas tendem a se agrupar, a seguir à risca o &#8220;vai procurar a sua turma&#8221;. Pessoas gostam de se sentir parte de um todo, gostam de ter &#8220;os seus&#8221; pra defender. É por isso que garotas de 14 anos, fãs desesperadas de crepúsculo, se dividem em Team Edward e Team Jacob. Por mais que não faça sentido algum se unir em torno da causa VAMPIRO ADOLESCENTE x LOBISOMEM ADOLESCENTE e por mais que isso não represente absolutamente nada do que você é, você escolhe um dos lados. Porque aquilo é o que você É.</p>
<div id="attachment_565" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/edward_vs_jacob_new_moon_wallpaper.jpg"><img class="size-medium wp-image-565" title="edward_vs_jacob_new_moon_wallpaper" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/edward_vs_jacob_new_moon_wallpaper.jpg?w=300&#038;h=200" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">oi gnt meu nome eh myrielly sou de rio brnaco nu acree tenho 13 anos leio twinlights desd os 11 e sou team eduard pq não gosto muito de negros rsrs</p></div>
<p>Sim, eu acho que as pessoas se definem por extremos. E rejeitam as opções existentes dentro de uma escala entre os extremos. Se você precisasse se descrever agora, com poucas palavras, como você faria?</p>
<p>Homem, Jovem, Esquerdista, Heterossexual, Jornalista, Palmeirense.</p>
<p>Dentro de um mundo que tem MUITA GENTE, em que nada é exótico, nada é novidade e através da internet você acha muitos iguais a você, me parece que geral vive uma crise de personalidade. Você precisa ser alguém, precisa ser reconhecido. Você precisa de fragmentos de identidade para montar uma imagem forte. Você é socialista, você vota Dilma, não importa quem dilma é: ela é uma representação de um conglomerado de idéias. Você é direitista, você vota serra, não importa quem serra é: poderia ser uma mulher, negro, um norueguês no lugar dele, desde que o número fosse 45. Você luta por isso. Essa é a sua identidade.<br />
Na falta do que mais.</p>
<p>Extremos são a forma mais fácil de você assumir perante o mundo claramente o que você é, do quão decidido você é. Tanto que as variações entre os extremos são tipos perseguidos: as pessoas rejeitam transsexuais com força, pois é difícil pra elas lidar com alguém que não é bem um homem e nem bem uma mulher. Bissexuais são rejeitados por heterossexuais e homossexuais, ambos o vendo como uma versão deficiente e insegura de um gay. Posições políticas mediadoras são vistas como em cima do muro, fracas e sem potencial de mudança, porque não propõe revolução alguma. Pessoas que não conseguem se decidir quanto a um interesse profissional são frequentemente vistas como indecisas, imaturas, se não vagabundas. Se você consegue flexibilizar a sua torcida para o time que considera estrategicamente mais preparado, você é vira-casaco. Você não tem personalidade. Você não é ninguém.<br />
E num mundo onde é difícil se destacar, as pessoas cada vez mais optam por posições extremas, tão seguras e tão mais fáceis de assumir. Não importa se a direita tradicional impõe valores morais ridículos, você concorda com liberalismo econômico e foda-se o resto. Não importa se parte da esquerda quase que oposiciona os valores &#8220;democracia&#8221; e &#8220;liberdade&#8221; e tu reprova isso: você simplesmente fica puto com a tua empresa acumulando milhões no bolso de 5 acionistas enquanto você se fode 8 horas por dia por 1500 reais por mês.</p>
<p>Não importa se qualquer coisa que possa se mensurar entre dois extremos se pareça com um círculo: se você pegar uma corda e fazer um círculo com ela no chão, as duas pontas extremas são as que se encontram. Extremos são próximos.</p>
<div id="attachment_563" class="wp-caption aligncenter" style="width: 424px"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/sem-titulo1.jpg"><img class="size-full wp-image-563" title="Sem título" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/10/sem-titulo1.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">you know...</p></div>
<p>E o foda é que os extremismos tornam as pessoas exageradas, excessivamente orgulhosas de levantar uma bandeira, desrespeitosas e agressivas com as posições contrárias, cegas com relação a todo o resto do mundo, e eu tô postando esse texto como forma de reclamar: EU NÃO SOU OBRIGADO A AGUENTAR OS SEUS ATAQUES DE NECESSIDADE DESESPERADA DE MONTAR UMA PERSONALIDADE. Porque essa versão adulta de team edward x team jacob tá foda, mano. TÁ FODA.</p>
<p>Eu teria tão mais pra falar, mas eu estou com preguiça. E isso é um blog. Com um layout feio. Amador. Ninguém merece uma tese aqui. Até porque, eu nunca iria mesmo procurar referências teóricas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/561/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/561/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=561&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sob a fuselagem</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 18:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[O diário do farol (posts emos)]]></category>
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		<description><![CDATA[Dizem as más línguas que após uns dois ou três anos tu vai, inevitavelmente, sentir vergonha de tudo que tenha escrito. Eu geralmente concordo. Fuçando nas minhas coisas, achei aqui uma redação que eu escrevi há uns 3 ou 4 anos atrás, numa aula de expressão e linguagem da faculdade. O tema da redação era [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=554&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem as más línguas que após uns dois ou três anos tu vai, inevitavelmente, sentir vergonha de tudo que tenha escrito. Eu geralmente concordo.</p>
<p>Fuçando nas minhas coisas, achei aqui uma redação que eu escrevi há uns 3 ou 4 anos atrás, numa aula de expressão e linguagem da faculdade. O tema da redação era si mesmo, e haviam regras: o texto deveria possuir trechos de narração, descrição e dissertação. Além disso, você deveria se comparar a um animal ou a um objeto.<br />
Parece uma proposta estúpida, talvez fosse mesmo, mas veio de um professor que eu admirei bastante. Um quase-gênio.</p>
<p>Dai que resolvi postar porque achei, de certa forma, um texto bonitinho.</p>
<blockquote><p>Sob todos os detalhes passa, internamente, alguma crítica, por mais tímida ou chula que seja. O rapaz anda curvado, carrancudo e descompassado: Firme quando está seguro, cambaleante quando indeciso. Talvez porque resolva, frequentemente, usar uma armadura sólida como a fuselagem de um avião.<br />
É difícil falar de coisas fixas, quando o ser humano por si é tão transitório, mas fica claro que ele é dividido por uma tênue linha entre algo que ele chama de &#8220;nós&#8221; e algo que ele chama de &#8220;eu&#8221;. E pra atravessar esse muro é tão fácil: basta uma discordância. A passagem é como uma reviravolta daqueles filmes imprevisíveis.<br />
Ao fim da avenida, depois da longa caminhada noturna, ele se sentou sob a guia da calçada, com uma lata de bebida em uma mão e o cigarro na outra. Passou a observar a pequena construção que fica do outro lado, uma casinha pequena e bonita. Aquela que fora sempre sua maior ambição, o seu lado insano que ninguém conheceu. Mas ele nunca foi até a casa, pois a travessia da avenida é longa e perigosa. Por fim, ele viu um homem entrar na casa, e ali viver, dormir, sonhar. Essa situação já tinha acontecido antes, mas ele sentiu de novo a mesma coisa: O peito doeu, queimou como brasa, e ele saiu correndo dali prometendo, mais uma vez, nunca mais voltar&#8230;<br />
No caminho de revolta, refém da volta de sua razão, ele sempre pensava algo como &#8220;estranho essa ligação entre eu e uma&#8230; casa&#8221;. Suas divagações sempre se atenuavam com o pensamento constante de que tudo aquilo não era insano, não era alcóolico, tampouco narcótico: Era simplesmente seu.<br />
Ainda sobrava um resquício de dúvida no fundo da mente enquanto ele voltava pra casa certo de que não valeria a pena sofrer por uma casinha, enquanto todos os castelos do planeta estariam no aguardo de sua ambição.<br />
Antes de fechar os olhos, e enfim dormir, ele se sentiu um pouco solidário ao avião que brilhava no céu escuro, e que ele via pela janela: Tão cheio por dentro, mas brilhando fraco no meio da imensidão azul-escuro cheia de estrelas.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/09/aviao-azul-de-jota-via-flicker-cc.jpg"><img class="size-full wp-image-555 aligncenter" title="aviao-azul-de-jota-via-flicker-cc" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/09/aviao-azul-de-jota-via-flicker-cc.jpg?w=450" alt=""   /></a><br />
Não sei, mas hoje a comparação do avião me soa, ao mesmo tempo, muito forçada e muito, muito triste.</p>
</blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/554/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/554/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=554&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nada a dizer</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 18:07:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Absolutamente nada]]></category>
		<category><![CDATA[amém]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu detesto me sentir cobrado a escrever. Eu não devo me cobrar por nada além do meu trabalho, que é a minha obrigação &#8211; e nem ela eu cumpro direito. Tudo que é cobrado é mal feito. Boa parte dos textos deste blog, ainda que não sejam grandes melecas, surgiram de pura e irreversível vontade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=551&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu detesto me sentir cobrado a escrever. Eu não devo me cobrar por nada além do meu trabalho, que é a minha obrigação &#8211; e nem ela eu cumpro direito. Tudo que é cobrado é mal feito.</p>
<p>Boa parte dos textos deste blog, ainda que não sejam grandes melecas, surgiram de pura e irreversível vontade de escrever. Mas há quase 2 meses eu não tenho vontade nenhuma de escrever, ainda que eu sinta que há coisas pra dizer. Além disso, por algumas pessoas dizerem que alguns dos meus textos eram engraçados, eu desenvolvi uma necessidade de ter humor em tudo, e isso é uma bosta, me trava na hora de escrever porque eu fico pensando COMO ser engraçado &#8211; sendo que eu nunca fui o talento máximo no assunto.</p>
<p>Portanto, tô aqui dando uma pausa no blog e dando satisfação pro vácuo que me lê.</p>
<p>Enfim, volto a escrever quando sentir prazer em tal. É provável que o livro do palahniuk que eu tô lendo agora motive isso, porque esse livro tá muito foda. Chama Assombro. Aliás, eu topo até trasncrever algum dos contos, porque eu rodei a internet e não tem nenhum exceto o FODASSO E VOCÊ TEM QUE LER AGORA Guts, que é bem popular. Aliás, só leia o Guts se você for a pessoa menos fresca que você conhece. Tu acha facinho via google.</p>
<p>Eu já pensei em fazer posts sobre política mas nah, não quero dor de cabeça.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/551/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/551/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=551&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>How to measure a planet?</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 04:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas/Resenhas]]></category>
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		<category><![CDATA[The gathering]]></category>
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		<description><![CDATA[Esse post era pra ter saído há muito tempo atrás. Considerando que ele é algo como o post &#8220;mais importante de todos os tempos deste blog&#8221; &#8211; COF &#8211; perdoe o fato de ele ser gigantesco. Te garanto que se você gosta tanto de música quanto eu, ele não estará chato. Desde o começo do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=532&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse post era pra ter saído há muito tempo atrás. Considerando que ele é algo como o post &#8220;mais importante de todos os tempos deste blog&#8221; &#8211; COF &#8211; perdoe o fato de ele ser gigantesco. Te garanto que se você gosta tanto de música quanto eu, ele não estará chato. Desde o começo do blog, ele é uma promessa interna &#8211; ele se trata de uma resenha, uma análise ou, na verdade, de uma <strong>declaração de amor pública a um álbum</strong>. A motivação para escrever este post agora foi o fato de que eu comprei este álbum. Depois de muitos fucking anos atrás desta porra, eu o consegui por um preço justo, e aqui vão meus agradecimentos especiais ao Lucas Novaes, da Overload Records, que gentilmente reservou uma unidade pra mim. Comprei na barraquinha de merchandising no show da Anneke Van Giersbergen, ex-vocalista da banda sobre a qual este post se trata, o The Gathering.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/ogaaai6j8cpvjszjrqpsgzftfhivkjhyhubxktwqxwvlofbwb58oum08ja6tilsmnkiuhnqoutimzd8rvble_pi9i8am1t1u.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="OgAAAI6j8CpvJSZjRqpSGZfTFhIvkjhYhubXkTwQXWVLoFBWb58Oum08ja6tiLsmn-kIuhNQOUTiMZd8rvBle_Pi9i8Am1T1UKaWm9MWUZYoDVUkzLv7Kxnrg3vh" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/ogaaai6j8cpvjszjrqpsgzftfhivkjhyhubxktwqxwvlofbwb58oum08ja6tilsmnkiuhnqoutimzd8rvble_pi9i8am1t1u1.jpg?w=353&#038;h=266" border="0" alt="OgAAAI6j8CpvJSZjRqpSGZfTFhIvkjhYhubXkTwQXWVLoFBWb58Oum08ja6tiLsmn-kIuhNQOUTiMZd8rvBle_Pi9i8Am1T1UKaWm9MWUZYoDVUkzLv7Kxnrg3vh" width="353" height="266" /></a><span style="font-size:xx-small;"> Eu, neste show. Segurando o objeto de análise deste post.</span></p>
<p>A Propósito, se você ainda não conhece The Gathering, temos duas conclusões óbvias a seu respeito:</p>
<p>1 &#8211; Você está perdendo uma das melhores bandas de todos os tempos. E, infelizmente, uma das mais subestimadas também.<br />
2 &#8211; Obviamente você não me conhece, já que é a minha banda favorita há anos e eu realmente os indico para qualquer vivente que me conheça um pouco. E que goste de música &#8211; o que, contrário ao que parece, não é tanta gente assim.</p>
<p><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/thegatheringrunrunrun.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="The Gathering run run run" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/thegatheringrunrunrun_thumb.jpg?w=411&#038;h=269" border="0" alt="The Gathering run run run" width="411" height="269" /></a><br />
Em um resumo preguiçoso: <strong>The Gathering</strong> é uma banda holandesa com uma história curiosa, cuja fundação data de 1989. Tendo iniciado-se na música dentro de gêneros obscuros do Heavy metal e com álbuns não tão inspirados, eles foram até 1994 seguindo como uma banda que você não vai querer ouvir. Eu ouço, mas você não vai querer ouvir, como 99% dos fãs da banda atualmente. É a parte que ninguém nem se lembra.<br />
Tudo muda após 1994, quando eles resolvem chamar a moça referida acima, <strong>Anneke Van Giersbergen</strong>, e lançam um álbum chamado Mandylion (1995). Quebrando totalmente laços com o som anterior, aqui eles trazem um som característico de um movimento extremamente desprezado por quase todo o mundo, o chamado Gothic/Doom Metal: um estilo controverso e frequentemente cheio de porcarias terríveis &#8211; mas que revelou umas 3 bandas realmente boas que, em algum momento da carreira, acabaram fazendo sons bem mais multi-influenciados. Entretanto, sendo um dos primeiros álbuns do estilo, Mandylion trazia um som com algo de sofisticado e vários traços de experimentalismos. Mas o The Gathering ainda era um som pra pouca gente.</p>
<p>Isso até 1998. Quando surge &#8220;<strong>How To Measure a Planet?</strong>&#8220;, o álbum do qual se trata este post &#8211; e que rompe toda e qualquer barreira de estilo construída anteriormente. Aqui nós não temos mais heavy metal, não temos mais um estilo pra poucos, nós temos música grande. É a melhor forma que eu tenho pra definir: <strong>Grande música.</strong></p>
<p>Daí em diante, eles se tornaram outra banda, com outra proposta de som e outro público-alvo. Na verdade, desde 1995 eles já tinham um a postura diferenciada, mas em 98 isso veio, de fato, à tona. E seguiram lançandos álbuns bons, alguns ótimos e um outro imperdível, chamado Souvenirs, que é o mais experimental da carreira, lançado em 2003. Mas não é sobre ele que o post se trata.<br />
O The Gathering é uma banda com potencial de clássico. Eu não estou dizendo um clássico estilístico ou de um grupo de estilos musicais, eu estou falando de <strong>clássicos da música</strong>, como se tornou o Radiohead. Entretanto, o estigma dos estilos com os quais se envolveram (sem, na verdade, nunca diretamente o sê-los) sempre prejudicaram a sua imagem e causam um estúpido preconceito em pessoas que veem as tags absurdas computadas no last.fm ou a menção da banda ainda atrelada a um estilo ao qual nunca realmente pertenceram &#8211; e se pertenceram, foram tão maiores que quaisquer outras que nem dá pra comparar.<br />
A banda terminou num limbo. Leve e experimental demais pra agradar qualquer fã de Heavy metal. Inovadora e original demais pra agradar qualquer fã de Gothic Metal. Sem apelo e tradição para agradar fãs de rock Progressivo. Sem hype para agradar indies e despretensiosa demais para agradar cults em geral. Poucas são as pessoas dispostas a quebrar paradigmas próprios do que devem ou não gostar para conhecer &#8216;bandas no limbo&#8217;. Aliás, me interesso por essas e aceito indicações.</p>
<p>É <strong>música para romper preconceitos</strong>, para ouvir sem se ater a comentários, a predefinições do que são por coisas que foram. Então, se você quer prosseguir, não abra o perfil do last.fm deles, não leia sobre eles (quer dizer, leia o que EU escrevi), baixe o álbum e ouça. Principalmente se você gosta de música experimental, rock progressivo, coisas psicodélicas e esse campo musical em geral. Até uma coisa de trip hop rola ali e aqui. Tudo isso fez com que eles se auto-intitulassem como uma banda de Trip Rock &#8211; rótulo mais do que adequado a proposta musical deles.</p>
<p><a href="http://www.megaupload.com/?d=AI4TP8XK"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="The-Gathering---How-To-Measure-A-Planet-[Front]-[www.FreeCovers.net]" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/thegatheringhowtomeasureaplanetfrontwww-freecovers-net_.jpg?w=310&#038;h=267" border="0" alt="The-Gathering---How-To-Measure-A-Planet-[Front]-[www.FreeCovers.net]" width="310" height="267" /></a><br />
Após essa grande introdução, eu te convido, primeiramente, a pensar no título do álbum, uma frase com infinitos significados, desdobramentos, interessante por si só. Como mensurar um planeta? Como medir o imensurável? Como ter noção do gigantesco? Quão grande é suficiente para nós? Como conhecer o desconhecido? Todo esse campo semântico, que nós traz mais do que <strong>um único</strong> significado, mas uma variante meio que inenarrável de idéias (meu deus, eu tô poético) é o mote central do álbum: algo que você não consegue exatamente definir ou descrever.<br />
De forma bem simplista, li uma vez que a temática do álbum gira em torno de <strong>Distâncias</strong>. De vários tipos. Acho que resumir assim é limitado, mas se você é dado a sínteses (como eu, EMBORA EU ADMITA QUE NÃO PAREÇA QUANDO EU FAÇO POSTS HOMERICAMENTE ENORMES COMO ESTE) de significados, é uma boa palavra pra se ater: <strong>Distâncias</strong>. Mas você ainda pode falar considerar vastidão,<strong> viagens</strong> (de todos os tipos), imensidão. E outras.<br />
Se você ainda não conhece o álbum, ia ser legal se você baixasse para ouvir enquanto lê abaixo. E se você conhece, também. Por isso<strong> clique na capa do álbum</strong> acima e encontre um facilitador de vidas chamado <strong>download no megaupload</strong>. Sim, estou me sentindo meio canalha ao contribuir com a pirataria para a minha banda favorita, mas a verdade é que ninguém compra um cd pra conhecer algo mesmo &#8211; ainda mais quando este não tem uma versão nacional em nenhuma loja. Mas te garanto que se tu curtir, vai curtir em excesso, o que de uma forma ou de outra vai te levar a querer comprá-lo mesmo.<br />
How To Measure a Planet é um álbum que necessita de fones de ouvido. <em>De boa qualidade.</em></p>
<p><span style="font-size:medium;"><em></em><strong>Música a música, vamos começar</strong></span></p>
<blockquote><p>Nota: Estou com problemas para sair do mood <a href="http://www.megaupload.com/?d=636SBL59"><strong><span style="text-decoration:underline;">desta música</span></strong></a> (<strong>Who Built The Road, Isobel Campbell &amp; Mark Lanegan</strong> &#8211; Mark Lanegan merece um post, por sinal) para começar a ouvir o álbum, mas vamo se esforçar. A música é uma das mais bonitas que eu ouvi, e é bem simples.</p></blockquote>
<p>Eu tenho o costume de gostar de faixas de abertura com impacto, fortes, que já comecem estourando tudo &#8211; talvez resquícios de quando eu era um fã exclusivo de Heavy Metal. Entretanto, mesmo <strong><span style="color:#ff0000;">Frail (You Might As Well be Me)</span></strong>, a faixa de abertura do álbum, sendo uma das mais calmas, lentas e atmosféricas dentre todas, não vejo quaisquer outras dando início ao CD. Ela serve como um convite a alguns dos principais elementos que você encontrará durante a execução de todo o álbum: dedilhados distantes, ecos, camadas de som, bateria presente e uma performance absurda da vocalista &#8211; aliás, uma das melhores de todo o álbum. O Instrumental calmo, quase que relaxante, dá base pra que a anneke solte a voz em altura máxima.<br />
Talvez por ser uma das músicas mais calmas e mais baseadas no vocal de todo o álbum, foi uma das que eu demorei bastante para gostar &#8211; mesmo sabendo que &#8220;baseado em vocal&#8221;, no caso do The Gathering, é um motivo pra gostar logo de cara.<br />
Se tratando (eu acho) de uma música sobre entrega pessoal e sobre distância no relacionamento, nada melhor do que encerrar com você ouvindo um &#8220;i bleed for you, i voluntarily give myself&#8221;. A letra curta já é mais do que suficiente pra você acreditar que isso é verdade.</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Great Ocean Road</span></strong> é uma das melhores músicas do mundo. Poucas vezes eu vi um instrumental que consegue representar exatamente a idéia da letra:<strong> vastidão</strong>. A música, mais do que uma grande contemplação às paisagens, aos horizontes, ao mundo, é um convite a &#8216;jump into the deep&#8217;, a conhecer o desconhecido, embarcar no que quer que seja. Vale lembrar que Great Ocean Road é o nome de uma rodovia costeira na Austrália, famosa por seu visual fora de série. Desde o riff inicial, as quebradas de ritmo, um certo swing, tudo te leva a querer pegar um carro e andar lá. A voz da anneke nesta música está mais alta, mais solta, mais despojada, combinando com o clima mais rock da música, uma das mais catch do álbum todo.<br />
Por volta dos 04 minutos de execução, começa o ápice da música: um grande outro com um grande solo de guitarra, um solo lento, sem virtuosismo. Uma amiga minha disse uma vez que essa parte a dava vontade abrir os braços e sair por aí imitando um avião. O sentimento é mais ou menos esse mesmo &#8211; considerando que eu não vou sair por aí de braços abertos imitando um avião<br />
Letra e música me parecem um grande hino a liberdade, mas sem panfletagem. Bastante recomendada quando você achar que a vida é pequena demais.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/vicgreatoceanroad_2092326501.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="vic-great-ocean-road.jpg_2092326501" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/vicgreatoceanroad_2092326501_thumb.jpg?w=350&#038;h=235" border="0" alt="vic-great-ocean-road.jpg_2092326501" width="350" height="235" /></a><span style="font-size:xx-small;">A feíssima <strong>Great Ocean Road</strong>, Melbourne, Austrália </span></p>
<p>Eu acho uma coisa muito impressionante em algumas letras da Anneke (além de vocalista, ela é responsável por todas as letras do álbum) &#8211; ela consegue ser direta (nem sempre) sem ser piegas. Eu acho que essa música é sobre estar distante do mundo, de si mesmo, sobre precisar de alguém, de ajuda, de cuidado.<br />
<strong><span style="color:#ff0000;">Rescue Me</span></strong> começa como numa versão mais intensa de Frail, com uma espécie de semirefrão (coisa inédita no álbum até agora) &#8211; que implora para ser resgatado &#8211; um pouco mais calcado nas guitarras. Não chega a ser uma música triste, mas sutilmente melancólica. E após a metade da música, mais um <strong>Outro</strong> (também acho esse nome esquisito – caso não saiba o que é, é uma parte sutilmente desconectada com o resto da música, geralmente após uma pausa, e calcada em alguma melodia específica) fenomenal: riffs intensos e sobrepostos e, pra completar uma das partes mais psicodélicas do álbum, um theremin, que é uma espécie de chiado, interferência, som espacial, não sei explicar.<br />
E mais uma vez o refrão e fim.</p>
<p>O How to Measure a Planet? é um álbum definitvamente complicado. Até agora, 3 músicas quase nada grudentas, de longa duração, homogêneas (isso significa que têm o mesmo clima, a mesma pegada, mas passam longe da monotonia de serem iguais) e bastante quebradas, com boas influências de rock progressivo. <span style="color:#ff0000;"><strong>My Electricity</strong></span> tá aí pra dar uma relaxada na complexidade do álbum e provar que isso é possível sem perder a mão e a coesão com o resto do álbum.<br />
É uma música simples, uma voz (ok, uma puta voz) e violão bem trabalhado em estudio. A propósito, essa música é letra e melodia da Anneke &#8211; e refinada com a produção do resto da banda, que agregou o tom mais profundo e experimental condizente com o resto do álbum. É também uma das músicas mais doces do álbum &#8211; sendo que até hoje é uma das poucas que Anneke (hoje, em carreira solo &#8211; ela abandonou o The Gathering em 2007) ainda toca de sua antiga banda, já que condiz com a proposta musicalmente mais simplista que ela segue hoje.<br />
Letra simples (parece uma contemplação de coisas pequenas, natureza, paz, o vento e o amor), Música curta, refrão fácil, agradável e pra qualquer momento. Se você não quer se esforçar muito pra gostar, comece por ela.</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Liberty Bell</span></strong> é uma música meio rejeitada até por quem é fã do álbum. O que eu acho bastante injusto, já que a música não foge do clima do álbum, só o apresenta de forma diferente. É uma música mais animada, que foge do tom mais intimista e sóbrio do resto do álbum. Foi o primeiro e único single do álbum, que inclusive gerou um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AB-5AFagZNc"><strong><span style="text-decoration:underline;">clip</span></strong></a> no mínimo&#8230; curioso.<br />
É mais rápida do que o resto do álbum, tem guitarras mais sujas (mas em riffs meio que felizes) e um vocal mais simples e &#8220;jogado&#8221; por cima da música. Cheia de barulhos e chiados espaciais, letra e música são meio que uma brincadeira com um tem a inusitado, mas condizente com o resto do álbum: Viagens espaciais. Tema este que dá o tom da arte de capa e encarte.<br />
É uma excelente música pra cantarolar junto, funciona<strong> MUITO bem</strong> ao vivo e também para você animar um dia que começou mal. E tá bem colocada no álbum, porque se o mundo é grande demais pra medir, nele não cabem só músicas melancólicas.</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/liberty_bell_1.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0;" title="liberty_bell_1" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/liberty_bell_1_thumb.jpg?w=300&#038;h=291" border="0" alt="liberty_bell_1" width="300" height="291" /></a><span style="font-size:xx-small;">Vale lembrar que o Liberty Bell (Sino da Liberdade) é um dos principais símbolos da independência norte-americana e é considerado um dos principais símbolos de justiça e liberdade. Não consigo ver uma relação tão óbvia com a letra da música, mas que há uma ligãção entre os conceitos, isso há. Só não sei explicar exatamente.</span></p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Red is a Slow Colour</span></strong> inicia o que eu chamaria de a segunda parte do álbum (na verdade, a segunda parte do primeiro cd, já que é um álbum duplo) e, pra mim, a melhor. Com algumas adaptações, poderia ser uma música do Pink Floyd numa mistura da fase mais psicodélica (principalmente na letra) e da fase mais sóbria. Algumas mudanças rítmicas e muitas camadas de teclado dão o tom que o álbum seguirá daqui pra frente: um pouco mais soturno e intrincado, inclusive o vocal da anneke fica mais grave pra isso.<br />
Red is a Slow Colour é um nome BEM curioso pra uma música &#8211; o que deve ter te feito perguntar-se sobre o que porras ela fala. Pois bem, a letra trata de um sonho. Desses sonhos que são incrivelmente reais e te fazerem experimentar sensações que você sabe que nem existem na vida real, e nem sabe descrevê-las direito depois de acordar. Na verdade, eu suponho isso, com certeza mesmo eu só sei que é, de fato, sobre um sonho. Mas eu não sei vocês, de vez em quando eu tenho uns sonhos que me fazem sentir coisas que eu nunca senti na vida real. Imagino que este sobre qual a música se trata seja assim &#8211; afinal, motivou ela a escrever uma letra só sobre ele. Imagino um sonho no qual ela se sentia perseguida, ameaçada por um ambiente vermelho, uma sombra vermelha, presa em algum lugar.<br />
É o tipo de sonho que a gente acorda e pensa: o que porras isso significava?<br />
Essa música é uma das mais complicadas do álbum, foi uma das últimas que eu gostei. O outro é fantástico, meio tenso, meio assustador, com cordas (ou simulação de, não sei). Daquelas passagens instrumentais pra viajar pra caralho, daquelas que você tem a impressão de que poderiam se repetir por mais 20 minutos e você não se incomodaria.</p>
<p><span style="color:#ff0000;"><strong>The Big Sleep</strong></span> é a música mais chapada do álbum, além de ser de longe a mais experimental de toda a carreira, competindo com algumas poucas de um outro álbum, o Souvenirs. É mais uma das que parece que não poderia ter outro nome, se não The Big Sleep. Parece a trilha sonora ideal pra ir caindo no sono aos poucos, ir apagando devagar, entrar em um outro estado de consciência (ou de inconsciência). É uma música que também não poderia ser de mais ninguém, se não do The Gathering. Eu sinceramente nunca ouvi nenhuma coisa parecida, tanto que não sei nem classificar o que seria essa música. A base é eletrônica, suave, são trocentas camadas de som, a bateria é orgânica, o trabalho com os vocais é cheio de ecos. Eu chamaria de Trip Music. Não é uma música de rock, e não é um trip-hop também. É algo original de verdade.<br />
A letra chega a ter um pouco de desespero, o que dá um bom contraste com o tom lento e contido da melodia. É sobre querer sumir, entrar num sono profundo, escapar da realidade.<br />
O que mais me atrai na música é que, mesmo com um instrumental minimialista, ela consegue &#8220;com pouco&#8221; construir um clima que leva a um ápice. A música toda parece uma introdução para o momento (próximo dos 04 minutos) em que a anneke faz seus &#8220;uhhhh&#8221; e a música evolui para uma sequência de &#8216;i&#8217;m dreaming&#8221;. Neste momento, o eu-lírico da letra parece que finalmente encontrou o seu tão aguardado sono.<br />
Coloco essa música fácil num top 10 da banda e num top 20 da minha vida toda.</p>
<p><em><span style="color:#c0c0c0;font-size:xx-small;">*fui almoçar e estou continuando este texto 3 horas depois*</span></em></p>
<p>Continuando o clima introspectivo e experimental da última música, <span style="color:#ff0000;"><strong>Marooned</strong></span> é um pouco mais orgânica e um pouco mais direta, mas ainda assim dominam os elementos sintetizados e as várias camadas de som, dessa vez acompanhadas por uma percurssão bem peculiar. É, também, uma das poucas músicas do álbum todo com alguma parte que pode ser chamada de refrão &#8211; a propósito, um ótimo refrão. Som sintetizado de cordas, um chiado que parece algo sendo arranhado e &#8220;<em>you don&#8217;t see me, cause i don&#8217;t have much to say</em>&#8221; e temos um trecho completamente hipnótico. Sobre os chiados, um colega meu disse uma vez que parecia barulho de louça, xícaras, pratos, o que o fazia sentir a música como alguém sozinho, pensando, num café. É uma boa forma de &#8220;sensorizar&#8221; a música.<br />
Assim como a música anterior, violões ou instrumentos de corda quaisquer fazem um papel bem sutil. É uma música mais centrada na percurssão, no vocal e nos teclados. É mais uma das músicas cuja temática parece combinar perfeitamente com a melodia: marooned trata de um momento de isolamento de todo o resto do mundo, um sentimento de não-pertencimento a alguma situação ou local. Por causa do trecho que fala de ciúmes, dá pra subentender que parece uma certa distância mental em um relacionamento, principalmente quando há &#8220;<em>o hours and hours fo jealousy; are passing me by; Although hollow silence; is the only wave; going through your brain</em>&#8220;. Entretanto, dá pra interpretar de outras formas, como apenas um isolamento mental do resto do mundo por se sentir diferente (&#8220;<em>I know I&#8217;m from a lesser tribe; I suppose the range of my intelligence; is way too wide</em>”).<br />
Como você pode perceber, considero uma das (se não a) melhores letras do álbum &#8211; além de uma das músicas mais introspectivas que eu já ouvi.</p>
<p><strong><span style="color:#ff0000;">Travel</span></strong> é foda, mas é tão foda, que ela parece até que sabia desde o começo que ia ser uma puta música muito foda &#8211; o começo dela apresenta uns chiados espaciais, uma máquina se ligando, quase um aviso de &#8220;<strong>aperte os cintos</strong>&#8220;. É o <strong>épico</strong> do álbum, com 9  fuckin&#8217; minutos. Desde os dedilhados de abertura, algo que de tão bom e quase que transcendental eu compararia aquelas guitarras meio &#8220;havaianas&#8221; da abertura de Breathe, do Dark Side of The Moon (pink Floyd), até o final, com um ápice que realmente é definido muito bem pelo termo &#8220;épico&#8221;, Travel é uma grande viagem, e, o melhor, uma viagem <strong>lotada de feeling</strong>.<br />
Nos 3 primeiros minutos, temos uma música que resume tudo que foi o álbum até agora – inclusive relendo uma melodia da great ocean road -  dedilhados distantes, anneke detonando, algumas guitarras mais pesadas, bateria marcante e teclados sutis que fazem uma diferença absurda. E um refrão bem intenso, que inclusive me lembra um pouco os refrões do primeiro álbum com a anneke, o mandylion.<br />
Logo após isso, o clima fica mais denso, com teclados mais graves dando o tom, além de algumas incursões de guitarra (algumas das mais pesadas do álbum), com anneke cantando cada palavra como se fosse a última. Aos 4:30, o &#8220;<strong>i wish i knew you</strong>&#8221; anuncia a proximidade do ápice da música. Mais dedilhados (num clima meio faroeste, fim de filme), e os teclados simulando cordas &#8211; simulando bem PRA CACETE, por sinal &#8211; tornam a música mais e mais densa, soturna e, mais do que qualquer coisa, bonita. Aos 6:40, anneke começa aquele que seria, pelo menos pra mim, seu melhor momento na história. Com uma emoção que a gente realmente não vê em quase nenhum vocalista por aí, ela praticamente implora pra que alguém, alguma coisa, saiba o quanto foi e é importante pra ela. &#8220;<em><strong>I Wish you knew, your music was to stay forever</strong></em>&#8221; é uma das frases mais emblemáticas que eu já vi numa música &#8211; mais emblemática ainda, quando do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qFNY296Rxgo"><strong><span style="text-decoration:underline;">último show</span></strong></a> da banda com a anneke, na finlândia, os fãs cantaram junto nesta frase enquanto apontavam pra ela &#8211; e ela obviamente chorou. É como se essa frase tivesse sido criada pra esse momento que, na verdade, ocorreu 10 anos depois. Não preciso dizer que é uma música bonita, mas extremamente triste, então nem ouça se seu humor já não estiver muito bem.<br />
Sobre a letra&#8230; bom, este caso é especial.<br />
Eu demorei pra pescar o sentido da letra sozinho. Com o tempo, entendi ser uma grande homenagem pra alguém, alguma coisa relacionada a música e criação. Mas eu não sabia quem &#8211; já tinha ouvido boatos, mas sem certeza. Então o que eu fiz?</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/ogaaalujj6ppt0chiftenckb0vs3jhkafd0_urbu0xetznoho5vkeq9nynkfrwmqk5mv3mapljwnvdywvfnudws01f8am1t1.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border-width:0;" title="OgAAALUjj6pPT0cHifTenCKb0VS3Jhkafd0_urbU0Xetznoho5VKEq9NynkFRWMQK5mv3MapLJwNVdYwvFnUdWS01F8Am1T1UHLvl48u8A_JHEqfZIVLHS8Or5ib" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/ogaaalujj6ppt0chiftenckb0vs3jhkafd0_urbu0xetznoho5vkeq9nynkfrwmqk5mv3mapljwnvdywvfnudws01f8am1t11.jpg?w=340&#038;h=257" border="0" alt="OgAAALUjj6pPT0cHifTenCKb0VS3Jhkafd0_urbU0Xetznoho5VKEq9NynkFRWMQK5mv3MapLJwNVdYwvFnUdWS01F8Am1T1UHLvl48u8A_JHEqfZIVLHS8Or5ib" width="340" height="257" /></a><strong><span style="font-size:xx-small;">PERGUNTEI PARA A COMPOSITORA! </span></strong></p>
<p style="text-align:left;">Sim, eu a conheci e conversei com ela após o show que ela fez em São Paulo recentemente (junho/10). E ela me respondeu (e como ela é atenciosa), &#8220;<strong>Oh, it&#8217;s about mozart</strong>&#8220;. E mais do que isso. Ela explicou que, naquele momento, o amor dela pela música do Mozart a fazia se sentir tão interessada na vida dele, e, como ela disse, sobre o que se passava &#8220;in his heart and in his mind&#8221; que ela se sentiu profundamente triste ao perceber que aquilo era impossível – conhecer aquele homem. E a música é, além de uma releitura de alguns fatos da vida dele, uma grande homenagem e uma declaração de admiração e uma exposição deste sentimento de impossibilidade.<br />
Travel é a grande viagem que ela nunca poderá fazer até o encontro dos sentimentos do seu ídolo.<br />
Se você não achou isso bonito, ou você não tem um coração dentro do peito ou você não gosta de música e nunca entenderá esse sentimento que ela tentou passar.</p>
<p><em>Aqui acaba o primeiro disco, e ele já seria mais que suficiente para tornar o álbum uma masterpiece completa. Mas não contentes, existe o <strong>disco dois</strong>. Não tão bom quanto o primeiro, mas ainda muito, muito foda. E eu to BEM CANSADO de escrever, e você está bem cansado de ler. Mas isso aqui não é uma resenha comercial e se eu quiser eu me estendo ab infinito.</em></p>
<p><span style="color:#ff0000;"><strong>South American Ghost Ride</strong></span> é a abertura do segundo cd e é instrumental &#8211; ou quase, já que ela cheia de uns &#8216;ah, ah, ah&#8217; da anneke. É uma bela música para viajar e eu sempre associo com navegações, mares, barcos, eu não sei exatamente o porquê. Ela anuncia também um retorno às músicas mais simples. Eu gostaria de ter achado o que falam as curtas narrações iniciais, mas sinceramente não faço idéia. Pode bem ser mais alguma coisa relacionada a gravações de comunicações entre naves e bases especiais, que aparecem em outras músicas.<br />
Um fato sobre esta música é que eu sei que ela foi composta no México, ou para o México – enfim, algo relacionado ao México. Entretanto, um lapso e eles esqueceram que o México faz parte da América Central, e não do Sul. Erro perdoável, eu nunca sei de olhar no mapa qual o nome de todos os países europeus.<br />
Talvez seja a música mais emblemática no álbum para simbolizar o que eles queriam dizer ao se auto-intitularem como uma banda de Trip Rock. É basicamente os elementos musicais do rock combinados de forma a tornar a música mais ampla, distante e levemente mais chapada por causa do uso do theremin.</p>
<p><span style="color:#ff0000;"><strong>Illuminating</strong></span><span style="color:#400000;"> é uma música bem mais simples que a média do álbum, talvez não só mais simples que My Electricity e Locked Away. É uma composição típica em cima da estrutura estrofe/refrão/estrofe, com estrofes calcadas em um instrumental mais simples, sem distorção, e um refrão mais alto, com guitarras mais pesadas. E com uma típica parada instrumental no meio da música.<br />
Com uma linha de baixo marcante e bateria forte, mesmo assim é uma música um pouco apagada, mesmo que o clima etéreo, viajante e um pouco mais positivo do que o a maioria das outras músicas do álbum possam te cativar vez ou outra – é o tipo de música que cresce estando dentro do álbum, no contexto, mas fora dele não é grande coisa. A letra é uma clara referência a viagens estelares, como se o próprio eu-lírico estivesse experimentando a sensação da gravidade 0. Também há uma contemplação ao ser humano por ter ultrapassado a “barreira da camada de ozônio” e ter “chego às estrelas”. Iluminados são os seres humanos, que conseguiram isso. Talvez viajando um pouco mais, uma referência ao pensamento iluminista – ou um paralelo entre as idéias iluministas (inovação) e a idéia de ir visitar as estrelas. O The Gathering é cheio de referências históricas, não seria tão impossível isso.<br />
Típíca musical, talvez a prima mais etérea e “trip rock” de Liberty Bell. É uma boa música pra ser trilha da sua apresentação de ensino médio sobre as estrelas de Júpiter haha</span></p>
<p>Algumas músicas do the gathering têm mais de uma versão – eles já lançaram alguns álbuns ao vivo (ótimos, e nada desnecessários) e também uma compilação de demos e versões alternativas. Algumas músicas, inclusive, são melhores nestas versões – caso de <strong><span style="color:#ff0000;">Locked Away</span></strong>, que eu gosto mais no álbum semiacústico ao vivo chamado <strong>Sleepy Buildings</strong> – um álbum bonito e simples, ótimo pra você ouvir no carro ou indicar pros seus pais. No acústico, a voz da anneke soa bem melhor e a simplicidade dos arranjos combina bem mais com a proposta da música.<br />
Mas a versão de álbum também é ótima. Música simples e curta, mas não tão doce quanto My Electricity – e um pouco mais trabalha nas camadas de som. Gosto particularmente das guitarras próximas ao final.<br />
O melhor de locked away está na letra – aparentemente bastante pessoal: sobre alguém que persegue alguém (um cônjuge, talvez), maltratando e “dominando” como forma de esconder problemas e inseguranças próprias. A distância de si mesmo. Como Illuminating, funciona melhor no contexto do álbum e nem tanto enquanto música isolada.</p>
<p>Assim como na música mencionada anteriormente, <span style="color:#ff0000;"><strong>Probably Built in the Fifties</strong></span> também tem uma outra versão que me agrada mais – mas, mesmo assim, a versão do álbum é uma GRANDE música, uma das melhores do álbum.  A versão demo me agrada mais por causa de algumas melodias vocais, como a do refrão – bem mais empolgante na Demo. Mas me aterei a comentar a versão de álbum.<br />
Então, é provavelmente a música mais “pesada” do álbum, a mais calcada em guitarras distorcidas e uma das que melhor funciona ao vivo, principalmente em shows mais rock oriented. Começa com uma bateria forte e sendo uma música arrastada. Mas logo entram as guitarras, que vão crescendo durante a música, e da metade pra frente, a música é uma avalanche – com algumas paradas atmosféricas, é claro &#8211; de vários riffs empolgantes – justamente a parte que funciona muito bem ao vivo, juntamente com o refrão, um simples “miles and miles I run”.<br />
É uma música pesada mas não lembra o “peso metálico” das músicas antigas, é uma parada mais <strong>rock’n’roll </strong>mesmo. O final da música é um daqueles que eu gostaria que prolongasse por mais tempo  &#8211; justamente o que acontece na versão Demo, com quase 9 minutos. Entretanto, nessa versão a música parece mais ‘magra’ e um pouco menos enérgica. A grande diferença mesmo é o refrão – na versão demo, bem mais empolgante e energético.<br />
Sobre a letra, eu sempre supus que a tal coisa construída nos anos 50 poderia ser um CARRO, até porque a música fala sobre uma road trip, um <em>walkabout</em>, um ano sabático, sobre correr o mundo em busca de si mesmo – e dá a impressão de que é um carro que já serviu de base pra muitas histórias do tipo. Essa letra tem um dos quotes mais legais da banda:</p>
<blockquote><p>I trust the speed until i have no need to run anymore</p></blockquote>
<p>Você confia na velocidade, no movimento, do não prender-se até que não precise mais correr, porque achou o seu lugar. Bacana.</p>
<p>30 minutos que você pode aproveitar inteiros se for paciente ou estiver no clima. 10 minutos que você DEVE aproveitar independente do resto. Isso é <span style="color:#ff0000;"><strong>How to Measure a Planet?,</strong></span> a música instrumental de encerramento do álbum de mesmo nome.<br />
Essa música é o ápice do feeling espacial deles – começa com longas narrações de radiotransmissão, com o instrumental mais viajado e mais rico em detalhes do álbum todo. Não há letra, entretanto, a música é permeada por vocalizações, como se a voz fosse apenas mais um instrumental musical, e não um instrumento para o canto.<br />
A música se estende por seus até 5 minutos como uma ideal representante do conceito de “trip music” que eu citei em Marooned. Após esse tempo, com as guitarras aparecendo mais, eles chegam ao ápice do que apelidaram de trip rock – e não há mais absolutamente nada que descreva o som apresentado aqui.<br />
E a música caminha por muitos minutos de riffs interessantes, vocalizações intensas, passagens lentas e outras mais vivas, viagens sintetizadas – O ápice se dá por volta dos 6 ou 7 minitos. Tudo isso nos 10 primeiros minutos, que resumem tudo o que é e foi o álbum até agora e todo o clima a que se propôs.<br />
A partir do oitavo ou nono minuto, a música começa a se distanciar de você. E a partir daí você precisa decidir se está apto a continuar ou não. Li em algum lugar que essa música “descreve musicalmente” a sensação de se distanciar cada vez mais da Terra: é como se o começo fosse o início da viagem, a decolagem, o ápice, o sair da terra, e com o tempo ela vai entrando dentro do silêncio, do isolamento completo no espaço. <strong>Suficientemente lisérgico, não?</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/terravistadalua.jpg"><img style="display:block;float:none;margin-left:auto;margin-right:auto;border:0;" title="terra-vista-da-lua" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/07/terravistadalua_thumb.jpg?w=321&#038;h=258" border="0" alt="terra-vista-da-lua" width="321" height="258" /></a><span style="font-size:xx-small;"> a lua é só o meio do caminho.</span> </strong></p>
<p>Até os 14 minutos, a música segue sendo mais ou menos uma música audível, comum, com os instrumentos funcionando, embora neste ponto ela já esteja bastante minimialista. A partir desse momento, segue uma vocalização chapada da anneke num looping que parece eterno. Você precisa de muita paciência para aturar isso, mas eu garanto que pode até funcionar dependendo do seu estado de consciência –<strong> esteja ele alterado artificialmente ou não.<br />
</strong>Daí até o final, aos 30 minutos, ainda surgem locuções, chiados, algumas aparições de alguns instrumentos e melodias. Em um momento, até parece que a música vai “reengatar” uma estrutura comum, mas é pegadinha do malandro, próximo ao minuto 20. Mas depois disso, entra a fase lisérgico-terminal da música, o ápice da viagem, a loucura completa, uns sons altos que parecem saídos do<strong> i-doser</strong> mais próximo. Já lá aos 27, o volume vai abaixando em direção ao silêncio, ao fim da viagem. O espaço, o universo, negro, nada. Fim da música, fim do cd, fim de uma <strong><span style="font-size:medium;">puta viagem</span></strong>.<br />
Enfim, uma música que eu descreveria como <strong>Trip</strong>. Começa como uma Trip Music, passa pelo Trip Rock e termina como um exemplar de… como descrever melhor se não por <strong>Trip Noise</strong>. Recomendo que você encare os 10 primeiros minutos como uma música comum e que você ouça pelo menos UMA VEZ a música na íntegra. Com fones de ouvido.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Destaques:</strong> O álbum todo. BRINKS. <span style="color:#ff0000;">Great Ocean Road, The Big Sleep, Marooned e Travel</span> são as músicas essenciais. Outros destaques são <span style="color:#ff0000;">Probably Built in the Fifties</span>, Os primeiros minutos da <span style="color:#ff0000;">música-título</span> e <span style="color:#ff0000;">Red is a Slow Colour</span>. Mas é um álbum pra você ouvir<strong> inteiro, do começo ao fim. </strong></p>
<p><span style="color:#000080;">Fim deste post enorme, trabalhoso e demorado – <em>que não será revisado por pura exaustão deste que vos escreve</em>. Quem sabe um dia (não prometo nada) rola a mesma coisa pro Souvenirs.<br />
Caso este post enorme tenha servido para alguém que não conhecia a banda se interessar pelo álbum, <strong>por favor me avise</strong>. Sentirei que minha missão na terra foi cumprida.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/532/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/532/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=532&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Porque eu chorei com Toy Story 3</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 03:40:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucas Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas/Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[filmes]]></category>
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		<description><![CDATA[Olha, não é de hoje que eu tô me sacando e vendo que eu sou uma das pessoas mais choronas e bunda-moles que eu já conheci. Realmente não é difícil fazer eu chorar. Da mesma forma, é muito difícil alguém conseguir me ver nesses momentos. Portanto, se você tem que ver pra crer, nunca vai [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=516&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/06/toystory31893.jpg"><img style="display:inline;border:0;" title="toy-story-3-1893" src="http://desfoque.files.wordpress.com/2010/06/toystory31893_thumb.jpg?w=425&#038;h=267" border="0" alt="toy-story-3-1893" width="425" height="267" /></a></p>
<p>Olha, não é de hoje que eu tô me sacando e vendo que eu sou uma das pessoas mais choronas e bunda-moles que eu já conheci. Realmente não é difícil fazer eu chorar. Da mesma forma, é muito difícil alguém conseguir me ver nesses momentos. Portanto, se você tem que ver pra crer, nunca vai acreditar que eu sou um chorão.</p>
<p>Hoje eu fui ver Toy Story 3 no cinema. Eu passei o final de semana inteiro reclamando de como eu não tenho vida social, bla bla bla etc. Daí que eu resolvi que ia fazer alguma coisa e essa coisa seria ver Toy Story 3. Mas eu não queria ir sozinho, e daí eu pensei: Por que não chamar meus irmãos? A proposta seria condizente com o filme que eu pretendia assistir. Daí que eu convidei ambos e a menina, minha irmã do meio, adolescente sofrida com suas desilusões amorosas recém adquiridas, resolveu ficar mastigando o amargor do pé na bunda em casa. Ok, ela é adolescente.<br />
Meu irmão foi comigo, e posso dizer que foi um dos programas mais legais dos últimos meses. Foi simples, chegamos, conversamos e comemos e vemos o filme e pegamos ônibus (E SURFAMOS NO ÔNIBUS UHU) e fim. Divertido, simplesmente divertido, além de muito acessível. Essa introdução toda só serve pra dar o clima “lição de vida&#8221; e coisas dubein. Porque Toy Story 3 é um filme lição de vida, dubein, lindinho, fofinho e tudo de untrue macho alfa que pode existir. E foda-se, porque o filme é lindo.</p>
<p>Prometo ser breve.</p>
<p>O filme que fecha (e que, por favor, tenha fechado mesmo, pra não deixar possíveis manchas na sequência)  a trilogia é um ótimo filme pra qualquer um que assista, adulto ou criança, mas é um filme <em>especial</em> pra  minha, pra nossa geração. Geração Twitter, nascida entre 85-90, pra quem realmente viu Toy Story surgir quando era uma criança.<br />
A história pega no ponto nevrálgico das pessoas dessa época, que estão passando ou acabaram de passar para a transição definitiva entre ser um pirralho e ser um projeto de homem ou projeto de mulher. E tudo de abandono que isso implica.<br />
O filme é foda porque fala diretamente pra essa geração. E uma continuação tão boa assim, mesmo tenso sido lançada TANTO tempo depois do original só me faz pensar que isso foi, de certa forma, deliberado. Nos primeiros filmes, você era uma criança. E agora você não é mais. E o que o Andy passa é o que você passou. E não necessariamente você abandonou brinquedos, mas os brinquedos podem ser o que você quiser.</p>
<p>E, como o filme assume desde o começo esse tom, desde o começo eu me senti altamente compelido a derrubar minhas pobres lágrimas, oun. Algo que deve ser abandonado e você não sabe lidar com isso e, por outro lado, a visão daquilo que é abandonado. Isso não é só os brinquedos, não é só a sua infância e a sua inocência, é toda uma vida. Você tem que abandoná-la &#8211; quer dizer, eu não acho que ninguém TEM que abandonar nada, por mais cruel que seja, as pessoas abandonam algo porque QUEREM mesmo, é tudo uma questão de prioridades.<br />
Enfim, o mote de abandono do filme é severo, mas aquele tom agridoce (como eu amo filmes assim) torna tudo mais leve e brutalmente divertido – que é todo o meio do filme. É um filme DIVERTIDO, as cenas de ação iniciais são fodas, a comédia é foda, as outras cenas se ação são fodas. É impressionante que até mesmo como entretenimento o filme funciona muito melhor que 90% dos blockbusters que eu vejo por aí.<br />
E no fim o tom amargo volta, mas de uma forma suave, aos poucos. E é aí que você desaba. Ele vai, não tem jeito. E os outros ficam.<br />
Mas ficam bem, porque a vida continua.</p>
<p>A coisa mais bonita do filme é que ele mostra uma boa alternativa pro abandono: cuide e garanta para que, após o seu abandono, aquilo que fica, fique bem.</p>
<p>Só pra constar, a cena mais triste do filme, uma das mais tristes do mundo, de tudo que eu já vi, tá no começo. E o pior, teoricamente era uma cena pra rir.<br />
É quando o Rex, o dinossauro, começa a gritar “ele tocou em mim, ele tocou em mim!” porque o andy acaba de ter pego nele após a FANTÁSTICA CENA (sério, que metáfora foda) do celular. Porque faz anos que o Andy nem dá bola pros brinquedos.</p>
<p>E quem aí não quis às vezes só ter <em>sido tocado</em> algumas vezes?<br />
<span style="color:#ffff00;">Se você pensou merda ambígua com a última frase, acaba de ter fodido o final deliberadamente pseudoemotivo e triste que o post queria ter.</span></p>
<p>PS: os dois melhores filmes que eu vi esse ano eram animações.<br />
PSS: eu não me expressei bem neste post, toy story 3 me fez sentir coisas confusas que eu não tô conseguindo explicar<br />
PSSS: essa mania dos PS’s veio da outra animação foda que eu vi este ano. Mary and Max, já comentado <a href="http://desfoque.wordpress.com/2010/05/27/os-postasmas-3-daquilo-que-no-me-d-teso/">neste post</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/desfoque.wordpress.com/516/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/desfoque.wordpress.com/516/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=desfoque.wordpress.com&amp;blog=8454272&amp;post=516&amp;subd=desfoque&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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